quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Em entrevista a jornal, Caetano Veloso diz que Marina "não é analfabeta como Lula"
"Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem", afirmou.
Caetano afirmou acreditar que Marina é uma pessoa "responsável e muito sensata" e, no poder, poderá ser "mais pragmática que Lula". "Suponho que agora ela não parece ter essa capacidade, com as coisas como estão".
Marina se filiou ao PV em agosto, depois de militar no PT por 30 anos, e é o nome forte do partido para concorrer à Presidência em 2010.
Sobre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, Caetano afirmou que ela "tem um trabalho de pura gestão, mas sem experiência de poder político direto. Ela nunca foi eleita a coisa nenhuma".
Ao citar os governadores José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG), Caetano disse preferir Aécio. "Talvez seja meu favorito entre os gestores. Porque acho que o Serra talvez ficasse mais isolado que o Aécio. E a Dilma talvez ficasse muito presa ao esquema estabelecido de ocupação dos espaços estatais pelo governo do PT".
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Um comentário:
DORA KRAMER
Origem e destinos
Do que fala Caetano Veloso – que, aliás, será apontado como preconceituoso por isso – quando diz que Marina Silva não é “analfabeta” como o Lula? Fala sobre o esforço da senadora em se aprimorar e aproveitar as oportunidades dadas pela vida. Fala da recusa da senadora em fazer da adversidade de origem um proveitoso destino.
Fala de uma mulher nascida nos seringais da Amazônia, alfabetizada aos 14 anos de idade e que tem hoje na expressão do idioma de seu país um de seus melhores atributos. Marina não precisa da grosseria para se identificar com seu povo. Ao contrário: oferece-se a ele como prova de que o aperfeiçoamento – de palavras, pensamentos e comportamentos – vale a pena.
Marina não nivela o Brasil por baixo, mostra o valor do esforço e não celebra a indulgência.
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