Bahia e Vitória descartam adesão à torcida única e promotor fala em providências

Após a recomendação do Ministério Público da Bahia, Bahia e Vitória mantiveram suas posições já divulgadas anteriormente e descartaram a adesão ao modelo de torcida única nos clássicos BAVIs da semifinal da Copa do Nordeste e final do Baianão. Unidos, os dois clubes confirmaram que venderão ingressos para as torcidas visitantes em todas as partidas.

Responsável pela recomendação, o promotor Olímpio Campinho Junior, do MP-BA lamentou a atitude dos clubes e falou em tomar providências e responsabilizar as agremiações em caso de novas ocorrências. "O Vitória que arque com as consequências (se vender ingresso torcida visitante). A recomendação está feita. Se o Vitória não acatar, a responsabilidade de tudo que acontecer, pelo fato de não cumprir a recomendação, será do clube. Por uma questão de estratégia nossa, as providências que tomaremos não vamos divulgar. A recomendação está feita e se o Vitória descumprir as consequências virão daí para frente. Isso vale para os dois clubes, caso o Bahia também decida não aceitar a nossa recomendação", disse em entrevista exclusiva aos Galáticos, na Itapoan FM.

O promotor justificou porque decidir implementar a torcida única no Bahia. "Os acontecimentos do último BAVI já são de conhecimento público e não fugiram à tona de muitos e muitos BAVIs que já foram realizados em nossa capital. Os confrontos acontecem com frequência, principalmente nas proximidades do estádio e deslocamento das torcidas visitantes, mesmo com escolta da Polícia Militar. Tínhamos que dar um basta nisso".

Olímpio Campinho citou o estádio de São Paulo como exemplo de sucesso na utilização de torcida única. "Nos estádios de São Paulo os confrontos foram reduzidos a zero no entorno do estádio. Não aconteceram mais confrontos nos deslocamentos de torcidas nos arredores dos estádios. Sabemos que existe um problema de segurança pública no nosso país, mas não vejo porque não testarmos aqui também. Vamos experimentar nesses quatro BAVIs o que já deu certo em outros estádios. Não dá para entender o porque do medo de fazer essa experiência. Fizemos reuniões com os clubes, Federação, e Polícia e não ouvimos nenhuma justificativa para que não fizéssemos esse laboratório. Sabemos que existem facções, que podem marcar brigas para outros lugares. Não queremos que isso ocorra nos arredores do estádio. As famílias, idosos, crianças, cadeirantes querem ir ao estádio sem ter que se submeter a uma guerra campal, que foi o termo utilizado pela Polícia no seu relatório sobre o último BAVI".

Por fim, o representante do MP-BA garantiu que outras medidas já estão sendo estudadas e tratadas para coibir a violência nos estádios de futebol da Bahia. "Pensamos e já discutimos alternativas para o futuro. Fazemos uma coletânea de experiências para ver o que deu certo e o que não deu certo. A torcida única é uma alternativa, uma experiência. Mas, outras providencias também devem ser tomadas. Quem comete atos criminosos de gravidade tem que se punidos com sanções graves", completou.

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