Morre o 81º policial militar este ano no Rio; 20 são de UPPs

O policial militar Ewerton Hudson Bispo da Rocha reagiu a uma tentativa de assalto por volta das 6h10 deste sábado em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e foi morto pelos criminosos. O cabo, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Parque Proletário, na Penha, Zona Norte do Rio, é o 81° PM assassinado este ano, mais do que os 77 registrados em todo o ano passado.

Segundo a corporação, Ewerton estava em uma padaria na Rua Antônio Félix, no bairro Nossa Senhora de Fátima, quando perceber a ação dos assaltantes. O cabo acabou por se envolver em luta corporal com um dos homens, mas foi baleado e não resistiu aos ferimentos. O 20º BPM realiza cerco para tentar prender os criminosos. Na padaria, os policiais aprenderam dois carregadores de pistola. O caso está a cargo da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.

VINTE MORTES EM UPPs

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) afirmou que, dos 81 mortos, 20 estavam lotados em Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Os números de mortos, no ano passado, não foram informados pela CPP. Os crimes este ano aconteceram durante confrontos com traficantes ou grupos armados, que resultaram em 141 policiais feridos dessas unidades.

Para o sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência (Uerj), o crescimento nas mortes de policiais tem alimentado um ciclo:

— O Rio tem uma polícia que mata muito e morre muito. A corporação tem um alto índice de letalidade e vitimização. Isso alimenta um ciclo de vingança. O policial acaba matando mais, e o bandido, por outro lado, executando mais policiais. Precisamos de um política de prevenção — afirmou Ignácio Cano.

O sociólogo lembrou também que, historicamente, o estado costuma registrar por ano mais de cem mortes violentas de policiais. Na conta, estão, além dos homicídios, os casos de acidentes e suicídios.

— Precisamos implantar políticas públicas para reduzir essas taxas. O Rio também precisa gerar protocolos para que não ocorram tantas mortes de policiais nas suas folgas, fora de seu serviço. Caberia uma série de ações para tentar prevenir — disse o sociólogo.

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