Vereadores são investigados por agressão a juíza arbitral durante orgia em hotel

Três vereadores de Piraí, no Rio de Janeiro, são suspeitos de agredir uma juíza arbitral durante uma orgia em um hotel de Brasília, em abril deste ano. Os suspeitos serão ouvidos por carta precatória pelo 5ª Delegacia do DF - pelo procedimento, eles devem prestar depoimento à Polícia Civil do Rio, que repassará para os colegas da capital brasileira. 

Foram ouvidas até agora a juíza e uma amiga, que é garota de programa, além da recepcionista do hotel. "Conversamos com a amiga da juíza e a recepcionista do hotel, e elas confirmam os acontecimentos. O laudo provisório do IML indica que ela teve uma lesão grave. Estamos esperando o laudo complementar, que pode indicar uma lesão gravíssima. Ela está com três dedos da mão que não se movem. Pelo que eu vejo do caso, tendo a acreditar na versão dela", disse ao Extra o delegado à frente do caso.

Segundo relato das duas, a juíza e a amiga foram abordadas por dois vereadores. A amiga foi contratada por um deles e a outra acabou ficando com o outro. Os quatro foram então para o hotel onde estavam hospedados os três vereadores fluminenses. Acontecia no DF a XV Marcha dos Vereadores.

Enquanto a garota de programa e um deles foram para o banheiro da suíte, a juíza e o outro ficaram no quarto. O terceiro vereador apareceu e a juíza acreditou que ele ia sair, mas os dois começaram a se beijar e tirar a roupa e a chamaram para ficar com os dois. Ela se negou a participar da orgia. Segundo relato da juíza, as agressões começaram a partir daí. 

Um tapa na orelha causou hemorragia na mulher. "Eu nunca imaginei que isso poderia acontecer. Eles pareciam pessoas normais, a conversa estava boa, divertida. Mas o vereador não foi só um louco: todos eles me bateram e ninguém fez nada", denuncia a vítima.

Silêncio
Durante a cena de violência, a amiga da juíza e o outro vereador saíram do banheiro e viram o que acontecia. A amiga se vestiu e saiu correndo. A juíza continuou apanhando, especialmente do terceiro vereador, que atacou especialmente seu rosto. "Enquanto ele me batia, ele gritava que eu era lindíssima, que ele também era e que o nome dele era Paloma, que eu não o conhecia. Foi um pesadelo. Ele me bateu muito", relembra. Ele chegou a ameaçá-la com uma faca.

Depois do episódio, o advogado do vereador a procurou para que ela não relatasse o episódio para ninguém. Mesmo assim, ela resolveu fazer a denúncia. 

A Câmara Municipal de Piraí, que tem 11 vereadores, divulgou uma nota comentando o caso:

"A Câmara Municipal de Piraí vem a público, por meio desta nota, esclarecer sua posição em relação aos fatos veiculados em redes sociais sobre o episódio envolvendo um vereador desta casa legislativa. Primeiramente, vale ressaltar que os vereadores se deslocaram para Brasília no intuito de participar da 15ª Marcha dos Vereadores, evento este que conta com a participação de mais de dois mil vereadores de todo o país, no qual são ministradas palestras por ministros do STF, ministros de Estado, juízes, e demais autoridades competentes dentro das matérias explanadas. Todavia, os fatos que circulam nas redes sociais, os quais deverão ser apurados pela autoridade competente, supostamente teriam ocorrido fora do horário em que os vereadores exerciam suas atividades e prerrogativas parlamentares. Ou seja, estavam na condição de cidadãos, como quaisquer outros. Desta forma, a Câmara Municipal de Piraí, além de não ter sido questionada por nenhum órgão externo, não nos cabe discutir qualquer ato da vida pessoal de qualquer cidadão. Comprometidos com a verdade e a ética, que sempre pautou nossa linha de procedimento, tenha a certeza de que a credibilidade desta casa de leis não ficará manchada, pois a nossa filosofia de trabalho sempre foi pautada na verdade e na ética".

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