Na contramão do mundo, cresce casos de AIDS no Brasil

O Brasil apresentou uma tendência inversa à verificada em todo o mundo em relação à AIDS. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as mortes relacionadas à doença diminuíram no planeta, alcançando um milhão de pessoas no ano passado (2016), a metade do número registrado em 2005. Para o Brasil, no entanto, sobrou um alerta: o total de novas infecções a cada ano no país aumentou em 3% entre 2010 e o ano passado ao mesmo tempo em que, na média mundial, essa taxa sofreu contração de 11%. 

Apesar do alerta, a elevação no País é considerada pequena, passando de 47 mil novos casos em 2010 para 48 mil em 2016. Em resposta à Agência Estado, o Ministério da Saúde alegou que a grande população brasileira causa distorções na análise da ONU. Ainda segundo a pasta, para efeitos de estudos e de comparação, seria melhor utilizar taxas de detecção da doença, obtidas pela divisão do número de casos pelo número de habitantes. Assim, ao contrário da divulgação da ONU, os dados epidemiológicos do Brasil indicariam a estabilização da epidemia, com viés de queda.

Os números divulgados pela ONU fazem parte de um documento da UNAIDS (organismo da entidade específico para lidar com a epidemia da doença) que será uma das bases de discussão para o congresso internacional sobre a AIDS que começa no domingo (23/7). A diminuição das mortes é atribuída a uma melhor difusão dos tratamentos com remédios antirretrovirais. O número de seropositivos com acesso a esses remédios, em todo o mundo, superou, em 2016, os 50%, o que ocorre pela primeira vez desde o início da epidemia.

Por isso, o documento considera que o mundo atingiu um ponto de virada em relação à doença, com mais de metade dos doentes em tratamento e com uma contínua diminuição das novas infecções.Como argumento para a tese, o texto chama atenção para o fato de que em 2016 o número de mortes causadas pela AIDS - 1 milhão - é quase  metade das registradas em 2005, 1,9 milhão. 

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