Policial militar é indiciado por matar adolescente na Baixa do Tubo

O policial militar Roberto Gonzaga da Silva Junior foi indiciado por homicídio doloso depois que assumiu ter baleado e matado o adolescente Enderson de Jesus Souza, de 17 anos. O crime aconteceu na localidade da Baixa do Tubo, no final de linha de Cosme de Farias, na sexta-feira (30).

O PM contou para o delegado que estava passando pelo local e assustou-se com a aproximação de um grupo de pessoas soltando fogos de artifício a esmo. O militar teve a impressão de que o grupo estava armado e disse que, por isso, deu três tiros para o alto. Ainda segundo o relato do policial, Enderson foi atingido acidentalmente. A família do adolescente discorda dessa versão.

Roberto é lotado na 22ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Simões Filho) e se apresentou na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba, na nesta quinta-feira (6). Ele esteve na unidade acompanhado de um advogado, foi ouvido pelo diretor da unidade, delegado José Bezerra, e liberado. A polícia não informou se vai pedir a prisão do PM. 

Os familiares de Enderson disseram ao CORREIO quatro dias após o crime que quem havia matado o adolescente era um policial. Na terça-feira (4), a Polícia Civil informou que tinha um suspeito do homicídio e que estava aguardando o reconhecimento por parte das testemunhas. Nesta quinta, Roberto resolveu procurar a delegacia e confessar o crime.

Segundo os familiares da vítima, Enderson não foi baleado acidentalmente, como informou o policial militar. Eles contaram que o adolescente e um grupo de amigos estava soltando fogos na Rua São Crispim, por volta das 21h, um homem teria saído de trás de uma árvore e dado o tiro que atingiu a nuca do jovem. Ele foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos. 

A arma usada pelo policial, uma pistola calibre 380, foi apreendida e encaminhada ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), para ser periciada.

Procurada, a Polícia Militar se posicionou em nota informando que o policial vai responder a um processo também na corporação e que, se for confirmado o crime, ele pode ser demitido da PM. Confira a nota na íntegra:

O policial militar vai responder a um Procedimento Administrativo (PAD). Sendo provada que a conduta do policial é incompatível com o desempenho da atividade policial militar, a sansão administrativa de maior grau é a demissão. A partir do momento em que os autos forem encaminhados oficialmente para a Corregedoria da PM, o comando tomará decisão sobre o emprego do policial. 

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