Vasco perde seis mandos de campos por confusão em São Januário

O Vasco foi punido com a perda de seis mandos de campo e multa de R$ 75 mil pelas confusões em São Januário na derrota por a 1 a 0 para o Flamengo, pela 12ª rodada do Brasileirão. O julgamento foi realizado nesta segunda-feira no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), durou quase quatro horas e contou com a presença do presidente Cruz-Maltino, Eurico Miranda.

O episódio ocorreu no dia 8 de julho. Na ocasião, após o apito final, ocorreram brigas entre torcedores e confrontos com policiais, que usaram balas de borracha e bombas de efeito moral. Houve tentativa de invasão e arremesso de objetos no gramado.

São Januário segue interditado
O tribunal do STJD também decidiu manter a interdição de São Januário, determinada pelo presidente em exercício, Paulo César Salomão Filho. A decisão pode ser revogada pelo próprio presidente ou pelo julgamento do caso no Pleno, ainda sem data marcada.

O Cruz-Maltino foi acusado pela Procuradoria de "não prevenir e reprimir desordens, tentativa de invasão e lançamento de objetos e bombas no campo do jogo". Também por "deixar de manter o local da partida com infraestrutura necessária para garantir a segurança não só dos torcedores e participantes, mas também dos profissionais de imprensa".

Flamengo é multado em R$ 5 mil
O Flamengo também foi julgado por um arremesso de uma lata no campo e recebeu uma multa de R$ 5 mil. O rubro-negro foi denunciado no artigo 213, inciso III do CBJD que previa multa entre R$ 100 e R$ 100 mil.

Cabe recurso?
Como o julgamento é em primeira instância, cabe recurso tanto por parte da acusação quanto da defesa dos clubes. A Produradoria já informou que vai recorrer para tentar aumentar a pena.
O que acontece no caso de perda de mando de campo?

Com a punição, o Vasco terá que mandar seus jogos a 100km de distância de sua cidade sede, e obrigatoriamente dentro do estado do RJ. É permitida a presença de público. O estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, por exemplo, pode ser uma opção para o clube. Caso a punição seja mantida, e São Januário seja liberado a seguir, o Vasco só poderá jogar mais cinco jogos em seu estádio no Brasileirão.
Qual era a pena máxima?

O Vasco foi denunciado no artigo 213, incisos I, II e III, parágrafo 1º, e no artigo 211 do CBJD). Somando todas as denúncias, a pena máxima era de perda de 25 mandos de campo e multa de R$ 350 mil.
O que alegou a acusação?

No entendimento da Procuradoria, o clube foi permissivo e tomou medidas insuficientes efetivas na fiscalização e na repressão do grupo de torcedores infratores. O Regulamento Geral das Competições e no Código da FIFA responsabiliza o clube pelos atos praticados pela sua torcida conforme o artigo 63.

- Não é o Gepe, nem a PM, que estão em julgamento aqui, muito embora a defesa esteja colocando a responsabilidade sobre a PM. O que se viu foi que, se não fosse a atuação da PM, uma tragédia ainda maior teria acontecido. Uma tragédia aconteceu. Poderia ser maior. O Gepe é uma referência. Talvez fosse até possível aprimorar as táticas, mas responsabilizar o Gepe, não se aceita isso - disse o sub-procurador geral, Luciano Hostins.

O que argumentou a defesa?
O Vasco foi representado pelo advogado Paulo Rubens Máximo. A defesa procurou eximir o clube de responsabilidade e buscou apontar falhas no esquema de policiamento de São Januário no dia do clássico. Rubens Máximo pediu que o Vasco fosse absolvido e que a liminar que determinou a interdição de São Januário fosse revogada.

- A denúncia não tem qualquer cabimento. Todos os laudos necessários foram apresentados. Um incidente aconteceu? Não há como negar. Agora dizer que São Januário não tem condições, precisa ser interditado, é um absurdo. Essa situação foi orquestrada para afastar os jogos de São Januário. Ninguém é insensível ao que as pessoas passaram ali dentro, mas não é culpa do clube. Que a punição seja feita de forma equilibrada - disse Rubens Máximo.

- Foi um ato terrorista, isso não se consegue prever. Houve em Londres um incidente com bomba, e não se interditou o estádio. A polícia identificou e foi atrás prender. O clube não quer dizer que está tudo normal. Mas essa responsabilidade tem de ser mitigada pelo tribunal. O clube se cercou de todos os cuidados. Não há tentativa de invasão, as pessoas subiram no alambrado para chamar a PM para a briga, depois das bombas no meio da torcida

Presidente do clube, Eurico Miranda compareceu ao julgamento e se pronunciou:
- Querer atribuir ao Vasco, dizer que o Vasco tem ligação com a sua torcida. Pelo amor de Deus. Aquilo não é torcida do Vasco, são meia dúzia de vândalos. Aquilo vem de fora para dentro. O Vasco não tem nenhuma associação com vândalos, nenhuma associação com Black Blocks. A quem interessava que alguma coisa acontecesse ali? Ao Vasco? É coisa externa. Isso que deve vir a ser apurado pelas autoridades. Mas a instituição? Pelo amor de Deus. Não pode pagar severamente pelo que vem acontecendo - disse Eurico.

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