السبت، 6 فبراير 2010
Governo baiano ataca João Ubaldo em debate sobre ponte
Vivemos dias de fanfarronadas travestidas de fúria, desavenças e desacatos: na política em ano eleitoral; no centro do poder de sonhos absolutistas em Brasília; nos governos estaduais em desalinho. Observo da Bahia quase tudo, sem entender quase nada do que dizem e do que pretendem , além dos efeitos retóricos, personagens como Ciro, Serra, Dilma, Lula, Aécio e até mesmo o governador Jaques Wagner e auxiliares, neste período em que Momo começa a imperar.
Dirão alguns que quase sempre foi assim, e o espanto é por deficiência de memória. Momo é tempo de bazófia, de brincadeira, gandaia, confusão. Em alguns lugares bem mais que em outros. No Brasil - e na Cidade da Bahia em especial -, é um tempo desconcertante, bem próximo das palavras usadas pela Enciclopédia Universalis (Paris, 1970) para definir lugares e personagens de "Histórias de Cronópios e Famas", o livro notável de Julio Cortázar.
Por falar em Bahia, o secretário de Planejamento estadual, o evangélico deputado petista Walter Pinheiro, ataca com ferocidade inusitada ao escritor João Ubaldo Ribeiro. Entrevistado pelo "Jornal do Brasil", Pinheiro surpreendeu esta semana pelas imagens e palavras agressivas ao partir para cima do autor de "Viva o Povo Brasileiro", em defesa do governo na polêmica em torno da ideia do governador Jaques Wagner de construir uma ponte com 13km de extensão, ligando Salvador à Ilha de Itaparica. A obra bilionária (R$1,5 a 2 bi) já desperta cobiça de quatro grandes empreiteiras - OAS e Odebrecht à frente.
Nascido em Itaparica e dono da obra fabulosa que projetou a ilha baiana no mundo inteiro, Ubaldo se opõe frontalmente à obra. A considera faraônica e distante das prioridades locais. Expôs isso com argumentos devastadores em defesa de sua opinião em artigo publicado no jornal A Tarde, que ganhou apoio nacional.
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