O contrato era de quase dois anos, mas a passagem foi de
quase dois meses. Paulo Autuori retornou ao São Paulo para atingir seu
quarto trabalho ruim consecutivo por clubes brasileiros: Cruzeiro
(2007), Grêmio (2009) e mais recentemente o Vasco. No Morumbi, foram 13
jogos oficiais (11 pelo Brasileiro, um pela Recopa Sul-Americana e outro
pela Copa Suruga) e duas vitórias. O aproveitamento de 23% dos pontos
disputados selou a demissão na segunda-feira.
Autuori recebeu um elenco com carências, um time com a
confiança abalada e jogadores importantes em má fase. Também encontrou
um São Paulo com a política em momento quente, viu a direção de futebol
ser reformulada e foi prejudicado pelo calendário. Sua queda se
concretiza depois de quatro jogos em oito dias.
Por mais que fatos alheios a ele empurrassem o time para
baixo, o fato é que Paulo Autuori não justificou o status de treinador
campeão de Mundial de Clubes, duas Copas Libertadores e um Campeonato
Brasileiro. Uma missão que agora recai sobre os ombros de Muricy
Ramalho. Abaixo, o Terra aponta sete erros de Autuori em seu retorno ao Morumbi:
Indefinição sobre a equipe titular
Em quase dois meses no São Paulo, Paulo Autuori não conseguiu repetir o mesmo time por dois jogos consecutivos. É verdade que foi prejudicado pelo calendário apertado e por problemas físicos no grupo, mas ainda assim fez muitas mudanças, principalmente no setor de armação. Sem um jeito definido de jogar, o ataque também sofreu para balançar as redes.
Discurso ineficaz
Em parte pelas mudanças na formação titular, mas o fato é
que Autuori não conseguiu mexer com os jogadores são-paulinos e seu
discurso de vestiário não foi suficiente para reverter a crise. Em
momentos-chave como a partida contra o Criciúma, faltou força mental ao
São Paulo para se superar nas adversidades. Curioso, já que o mesmo
grupo de atletas havia se destacado por esse espírito durante o
Brasileiro 2012 e a Copa Sul-Americana.
Falta de padrão de jogo
Autuori adotou uma estrutura tática ultrapassada como
base inicial para sua equipe, com dois volantes, dois meias e dois
atacantes. O modelo, comum no futebol brasileiro na década retrasada,
entrou em desuso. Na sequência, o treinador jogou na retranca em
partidas contra Corinthians e Bayern de Munique. Mais recentemente, se
voltou ao 4-2-3-1, e até testou PH Ganso no ataque. Nunca, porém, o São
Paulo foi um time organizado, compacto e incisivo à frente.
Sem poder de fogo
Dados Footstats apontam para o São Paulo como o
time que mais troca passes no Campeonato Brasileiro. A posse de bola,
porém, não significa poder de fogo, já que a equipe são-paulina está
entre as que menos (10ª) e pior finalizam (14ª). Daí a má fase dos
atacantes, exceção feita a Aloísio. Osvaldo, por exemplo, começou o ano
como jogador de Seleção Brasileira, mas não faz um gol desde fevereiro.
Cobradores de pênalti
O São Paulo teve quatro pênaltis a seu favor sob o
comando de Paulo Autuori, sendo um deles em partida amistosa contra o
Bayern de Munique. Se Rogério Ceni e Jadson tivessem convertido contra
Portuguesa, Criciúma e Flamengo, os quatro pontos a mais somados
representariam hoje estar fora da zona de rebaixamento. Os erros foram
cometidos pelos jogadores, mas a indefinição sobre um cobrador oficial
confiável e bem treinado é falha do treinador.
Improvisação na lateral
A utilização de Paulo Miranda na lateral era motivo de
críticas internas a Ney Franco, mas também se repetiu com Autuori. Na
impossibilidade de contar com Douglas, o treinador abdicou dos jovens
Lucas Farias e Caramelo nas últimas partidas e não teve resultados.
Zagueiro de origem, Paulo falhou bastante pelo lado do campo contra
Criciúma e Coritiba. Do outro lado, um dos acertos do treinador: ele
apostou em Reinaldo, deu estabilidade e solucionou o problema pela
esquerda.
Não recuperou os principais jogadores
Um dos pontos principais para a fase ruim do São Paulo é
o desempenho abaixo da média dos jogadores mais importantes. Rogério
Ceni, por exemplo, falhou embaixo dos paus e também em cobranças de
pênalti. Responsáveis pela criação do time, PH Ganso e principalmente
Jadson fizeram partidas apagadas com Paulo Autuori. Luís Fabiano marcou
um gol nos últimos dois meses. Toloi, tido como melhor zagueiro do
grupo, entrou em queda livre.

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