الأربعاء، 10 يوليو 2013

Greve geral será a 4ª do Brasil desde a Independência

Nesta quinta-feira, milhões de trabalhadores brasileiros prometem cruzar os braços e paralisar serviços fundamentais para o andamento do País, como bancos, indústria, obras, transporte público e construção civil. Chamado pelos sindicatos de greve geral, o movimento - que pegou carona na onda de protestos que sacudiu o País em junho - é o quarto desse tipo em 190 anos, desde a Independência (7 de setembro de 1822). Em 2013, a novidade é a unificação dos sindicatos e movimentos sociais em uma pauta que cobra o avanço do Brasil.

"As manifestações que antecederam a convocação dessa greve se mostraram novas para os próprios partidos e centrais sindicais. Essa sociabilidade é algo inédito no Brasil. Uma pauta de certa forma única e com um objetivo claro: fazer o País avançar com uma inversão de prioridades", afirmou o sociólogo Adão Clóvis Martins dos Santos, do Departamento de Ciênciais Sociais da PUCRS.

Em 1917, a crise no comércio exterior, causada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), aumentava preços, diminuía salários e provocava escassez de alimentos no Brasil. Para atenuar os efeitos, os patrões esticavam as jornadas de trabalho e revoltavam os trabalhadores, que organizaram uma grande passeata em 9 de julho, em São Paulo. Na marcha, o sapateiro Antonio Martinez foi morto pela polícia, e o assassinato tornou-se o estopim para a primeira greve geral do Brasil.

A imprensa da época tratava os manifestantes como anarquistas e os patrões como caso de polícia, e os passageiros dos bondes e todas as pessoas que circulavam pelas ruas eram revistados.

Nas fazendas de café do interior paulista, muitos imigrantes italianos abandonaram o trabalho escravo e foram para as cidades, levando seus anseios de lutar por direitos trabalhistas. A ebulição política e social levou à organização do movimento operário no País e, mais tarde, à chegada de Getúlio Vargas ao poder.




A ascensão da CUT
Setenta e dois anos e duas ditaduras depois - Estado Novo (1937-1945) e militar (1964-1985) -, os sindicalistas, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), fizeram outra greve geral, desta vez contra o desemprego, as perdas salariais e o aumento sucessivo dos preços dos produtos de primeira necessidade durante o governo de José Sarney (1985-1990).

O Plano Verão, lançado em janeiro de 1989, revoltou a população brasileira e impulsionou a segunda greve geral da história do País. A lei modificava o índice de rendimento da caderneta de poupança, gerando perdas de até 20%, congelava preços e salários e criava uma nova moeda, o Cruzado Novo.
Sentindo-se lesados, os trabalhadores procuraram o governo e os empresários para conversar em março, mas nenhum acordo avançou. A CUT tomou a frente e organizou, então, a paralisação nacional das atividades em 14 e 15 de março. Mais de 70% da população economicamente ativa apoiou a greve, o que fortaleceu o PT, partido que mais representava a luta trabalhista.

"Eram demandas de debilidade do processo econômico: desemprego, baixos salários, ausência de políticas sociais. Era uma greve muito mais defensiva: não perder o que temos, lutar pelo emprego. Hoje, se reconhece que existe consenso de que é preciso avançar", explicou Adão Clóvis Martins dos Santos.

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