"As manifestações que antecederam a convocação dessa
greve se mostraram novas para os próprios partidos e centrais sindicais.
Essa sociabilidade é algo inédito no Brasil. Uma pauta de certa forma
única e com um objetivo claro: fazer o País avançar com uma inversão de
prioridades", afirmou o sociólogo Adão Clóvis Martins dos Santos, do
Departamento de Ciênciais Sociais da PUCRS.
Em 1917, a crise no comércio exterior, causada pela
Primeira Guerra Mundial (1914-1918), aumentava preços, diminuía salários
e provocava escassez de alimentos no Brasil. Para atenuar os efeitos,
os patrões esticavam as jornadas de trabalho e revoltavam os
trabalhadores, que organizaram uma grande passeata em 9 de julho, em São
Paulo. Na marcha, o sapateiro Antonio Martinez foi morto pela polícia, e
o assassinato tornou-se o estopim para a primeira greve geral do
Brasil.
A imprensa da época tratava os manifestantes como
anarquistas e os patrões como caso de polícia, e os passageiros dos
bondes e todas as pessoas que circulavam pelas ruas eram revistados.
Nas fazendas de café do interior paulista, muitos
imigrantes italianos abandonaram o trabalho escravo e foram para as
cidades, levando seus anseios de lutar por direitos trabalhistas. A
ebulição política e social levou à organização do movimento operário no
País e, mais tarde, à chegada de Getúlio Vargas ao poder.
A ascensão da CUT
Setenta e dois anos e duas ditaduras depois - Estado Novo (1937-1945) e militar (1964-1985) -, os sindicalistas, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), fizeram outra greve geral, desta vez contra o desemprego, as perdas salariais e o aumento sucessivo dos preços dos produtos de primeira necessidade durante o governo de José Sarney (1985-1990).
Setenta e dois anos e duas ditaduras depois - Estado Novo (1937-1945) e militar (1964-1985) -, os sindicalistas, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), fizeram outra greve geral, desta vez contra o desemprego, as perdas salariais e o aumento sucessivo dos preços dos produtos de primeira necessidade durante o governo de José Sarney (1985-1990).
O Plano Verão, lançado em janeiro de 1989, revoltou a
população brasileira e impulsionou a segunda greve geral da história do
País. A lei modificava o índice de rendimento da caderneta de poupança,
gerando perdas de até 20%, congelava preços e salários e criava uma nova
moeda, o Cruzado Novo.
Sentindo-se lesados, os trabalhadores procuraram o
governo e os empresários para conversar em março, mas nenhum acordo
avançou. A CUT tomou a frente e organizou, então, a paralisação nacional
das atividades em 14 e 15 de março. Mais de 70% da população
economicamente ativa apoiou a greve, o que fortaleceu o PT, partido que
mais representava a luta trabalhista.
"Eram demandas de debilidade do processo econômico:
desemprego, baixos salários, ausência de políticas sociais. Era uma
greve muito mais defensiva: não perder o que temos, lutar pelo emprego.
Hoje, se reconhece que existe consenso de que é preciso avançar",
explicou Adão Clóvis Martins dos Santos.


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