Ex-assessor de Temer, Rocha Loures será transferido para o presídio da Papuda

Ex-assessor do presidente Michel Temer, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures está detido numa cela da Superintendência da Polícia Federal. Ele foi preso no início da manhã deste sábado e, na segunda-feira, será transferido para a ala federal do Complexo Penitenciário da Papuda. Loures estava em casa com a mulher grávida de 8 meses, quando foi detido.

A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, relator da Lava-Jato, a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot. Loures é acusado de receber propina da JBS em nome de Temer. O ex-deputado e o presidente respondem juntos a inquérito por corrupção no STF.

Na decisão, Fachin considerou "gravíssima" a conduta do ex-assessor de Temer e explicou que só não havia determinado a prisão antes por conta do mandato parlamentar exercido por Rocha Loures. Segundo o ministro, a prisão é "imprescindível" para interromper o cometimento de crimes.

O advogado Cézar Bitencourt, que defende Loures, disse que vai recorrer da prisão. Para o advogado, não havia necessidade da prisão do ex-deputado.

- Ele está preso indevidamente. É desnecessária a prisão. Não tem nenhum fato que autorize a prisão. Ele não é mais deputado, não é mais assessor, não recebe mais mando do presidente. E estava em casa com a esposa, grávida de oito meses - disse Bitencourt.

O ex-deputado é investigado no Supremo Tribunal Federal no mesmo inquérito sobre o presidente Michel Temer, aberto após a delação da JBS. Em depoimento, o dono da JBS Joesley Batista afirmou que Rocha Loures foi indicado pelo presidente para tratar de assuntos de interesse da empresa.

Numa conversa gravada pelo dono da JBS no porão do Palácio do Jaburu, Temer indicou Loures para conversar sobre "tudo" de interesse do empresário. Logo depois Loures foi flagrado acertando cargos e decisões estratégicas do governo federal com Batista.

Num segundo momento, o ex-deputado foi filmado recebendo uma mala recheada com R$ 500 mil repassada à ele por Ricardo Saud, operador da propina da JBS. A mala de dinheiro fazia parte de uma propina de R$ 480 milhões a ser paga ao longo de 20 anos, conforme indica a investigação.

O Ministério Público Federal reapresentou o pedido de prisão de Rocha Loures na quinta-feira, depois que foi formalizada a posse do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) que saiu do Ministério da Justiça e retornou à Câmara. Com o posse de Serraglio, Loures perdeu a vaga por ser apenas suplente de deputado.

No pedido de prisão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que Rocha é "verdadeiro longa manus do presidente Michel Temer". A expressão em latim é usada para descrever aquele que atua como executor das ordens de outro.

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