domingo, 3 de junho de 2012

Bahia lidera as denúncias de abusos sexuais contra crianças e adolescentes


“Ele chegou lá e colocou o pinto para fora?”, quer saber a delegada. “Foi”, diz, secamente, a adolescente de 13 anos, vítima de abuso sexual. “Ele rasgou sua camisa querendo ver seu peito”, continua a policial. “Eu fui entrando e ele foi logo me agarrando”, é a resposta da menina, seguida de outra pergunta: “Ele segurou em que parte de seu corpo?”. “Meus peitos”

O diálogo aconteceu na última quarta-feira, dia 30, quando a adolescente é obrigada a relatar o momento mais constrangedor de sua vida – o dia em que foi atacada pelo “avô de consideração” (pai de sua madrasta). Em uma sala da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca), a delegada titular Ana Crícia Macedo, durante 20 minutos, fez e refez as perguntas sobre o crime. Depois, repetiu as respostas para o registro em letra fria do escrivão, um homem de cerca de 30 anos, que estava diante da vítima.

De acordo com especialistas, esse modelo de condução de inquéritos sobre abuso sexual de menores está na raiz de um paradoxo enfrentado pela polícia baiana: um alto número de denúncias e a baixa quantidade de inquéritos instaurados e investigações concluídas no estado.

De acordo com os números da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), a Bahia lidera as denúncias de abusos sexuais, com 962 casos, e de exploração sexual, com 250. Mas, ainda assim, não há número preciso sobre o resultado efetivo das queixas, através de inquéritos instaurados, e das punições impostas aos agressores. Sobretudo por deficiências no treinamento daqueles que são destacados para apurar os abusos, sempre revestidos de situações delicadas e de difícil condução. Informações do CORREIO.

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