domingo, 23 de novembro de 2014

Após morte do pai militar, presidente do GGB critica PM

O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, usou o Facebook para desabafar depois da morte do pai, Genésio Ferreira de Cerqueira, que faleceu aos 70 anos. Policial militar reformado, ele estava em sua residência em Coração de Maria e morreu em Feira de SAntana depois de passar mal. Segundo Marcelo, o pai só foi encontrado caído sete dias depois. Ele reclama da falta de apoio aos policiais aposentados e critica o fato do pai ter sido reformado com apenas 50 anos depois de sofrer um ferimento na perna.

"Não é fácil para um homem ou mulher entrar para a 'reserva ou reformado' nessa organização. É como se a vida perdesse o seu sentido, como se faltasse a lógica das coisas, como se deixasse de ser homem e virasse um cidadão de segunda categoria. Desde que ele saiu da PM a vida passou a ter um outro significado, se tornando um homem de poucas palavras. Perdeu a farda que lhe conferia poderes mágicos, beleza, brio, admiração por homens e por mulheres. As mulheres, um capitulo a parte na vida dele, foram tantas, infinitas como as estrelas do céu e areia do mar. Vestia a farda e virava um príncipe africano, lindo de morrer", escreveu Marcelo.

Ele criticou o afastamento de PMs feridos. "O que eu acho que todos deveriam irrestritamente serem utilizados em serviços administrativos. Se um policial sofreu em serviço algum acidente, perdeu as pernas, mãos, ficou cego, surdo , tornou-se cadeirante, porque é que ele não pode fazer serviços administrativos nas unidades da polícia a ou nos demais órgãos da administração pública? Nada impede isso a não ser a má vontade de certos comandantes". E acrescenta: "Quando o meu pai foi "reformado" deixou de usar a farda, a vida perdeu o sentido para ele".

"Mas qual foi o apoio que a PM deu a um homem como ele que teve de organizar a sua vida em diante, reformar a cabeça, porque de uma hora para outra as coisas que antes eram cotidianas deixam de existir. Muitos oficias não conseguem viver daqui pra frente e entram e caem em transtorno emocional necessitando de clinica de reabilitação, o que a Polícia não faz, entrega essas pessoas a própria sorte como se não servisse mais para nada. Parece até que para a Polícia Militar do Brasil a pessoa só presta quando ela tá na ativa cortando no aço vagabundo, depois é descartada como segunda classe, ou sem classe alguma", desabafou.

Marcelo critica a falta de um planejamento para a aposentadoria na corporação e faz uma comparação com combatentes de guerra nos EUA. "Nos Estados Unidos uma pessoa ferida por guerra ou em serviço é condecorado, aqui na Bahia e no Brasil, a gente liga para o Batalhão informado que um militar morreu, ninguém comparece ao enterro". E finaliza: "O corpo de um policial é um corpo santo. Deveria haver um espaço nos cemitérios só para os policiais".

A missa de sétimo dia de Genésio será na segunda (24) às 17h na Paróquia Igreja da Matriz Senhora de Santana, em Feira.

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