quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

'Mano Brown' de Salvador arrasta a pipoca mais radical


Na origem, um quê de Ramones - banda ícone do movimento punk. Ainda adolescente, Edicarlos da Conceição Santos desistiu de fazer um teste no time de futebol da Catuense, da cidade baiana de Catu, e montou uma banda. Com um punhado de moleques que não sabia tocar nada e tampouco cantar. Mas se há uma referência musical que parece mais apropriada à Eddye ela é o líder do Racionais MC's, Mano Brown.

Eddye, líder do EdCity - que tocou à frente do trio Traz a Massa/É Massa, que se apresentou no fim da tarde de terça-feira (16), no Campo Grande - leva para as músicas sua história. Numa reportagem à revista Muito, do jornal baiano A Tarde, contou que já foi parado pela polícia por carregar um aparelho de CD na rua. Para escapar de qualquer confusão, teve de pegar a nota fiscal do produto em casa. Em outra entrevista, ao site Bahia Notícias, Eddye disse ter passado dois dias preso por porte de maconha. Prisão que creditou a um mal entendido.

Por isso suas músicas estão na contramão das letras do segmento "vou-te-comer/vou-te-comer/vou-te-comer" do Carnaval baiano. Eddye busca uma temática mais social. Fala das favelas, da relação dos pobres com a polícia, da criminalidade.

"Trancado atrás das grades, me sinto até um covarde/ Sem forças, sem estímulo pra reagir/ Da forma como se vive aqui,/ É tanto sofrimento por causa de um ato que eu cometi", diz a letra de Do Mal Me Libertei.

Com temática definida nas letras, nas músicas a mistura é total. Axé com rap, hip hop e pitadas de rock, além de samba. Mas a fama de seus seguidores no Carnaval é de formarem a passagem mais violenta e radical da cidade. Fama que já carregava até o ano passado, quando saía à frente do grupo Fantasmão.

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