sexta-feira, 26 de março de 2010
Em 4º dia, casal Nardoni depõe, chora e entra em contradição
No dia dedicado ao interrogatório dos réus, o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella, choraram, acusaram a polícia de pressioná-los a assumir o crime e entraram em contradição mais de uma vez. Como previsto, os réus mantiveram a mesma versão sustentada ao longo dos últimos dois anos pela defesa - a de uma terceira pessoa - e repetiram a resposta "não recordo" para a maioria das perguntas.
O depoimento do casal, um dos momentos mais esperados do julgamento, levou mais de 100 pessoas à fila em frente ao Fórum de Santana, na zona norte da capital paulista, antes das 8h. Todos na tentativa de acompanhar as respostas dos réus. Assim como nos dias anteriores, o juiz Maurício Fossen recomeçou a sessão com mais de uma hora de atraso, com o interrogatório de Alexandre.
Com paradas evasivas antes de responder as perguntas, o pai de Isabella chorou mais de uma vez - primeiro, ao encontrar a mãe no plenário; em seguida, ao falar da morte da filha. No entanto, o promotor Francisco Cembranelli botou em xeque a manifestação de emoção do réu. O representante do MP perguntou se havia algum problema com os olhos de Nardoni, que impediam que saíssem lágrimas quando chorava. A pergunta foi indeferida pelo juiz.
Na oitiva de mais de cinco horas, interrompida a todo o momento pela frase "não me recordo" - comportamento repetido mais tarde por Anna Jatobá -, Nardoni disse que o delegado do 9º Distrito Policial, Calixto Calil Filho, propôs, durante a fase do inquérito, que ele assinasse uma declaração de homicídio culposo (sem intenção de matar) pela morte da filha. Segundo ele, isso seria parte de um acordo para que sua mulher fosse dispensada pela polícia. Ele afirmou ter se recusado assinar, dizendo que é inocente.
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