quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Delegado: reviravolta em 15 min culminou na morte de Eloá


O delegado da Polícia Civil Sérgio Luditza, do 6º Distrito Policial de Santo André, no ABC Paulista, afirmou nesta terça-feira que uma "reviravolta" nas negociações acarretou a morte de Eloá Pimentel, 15 anos, em outubro de 2008. De acordo com o delegado, que acompanhou o caso na época, em outubro de 2008, "tudo caminhava para a soltura das reféns" Eloá e Nayara Rodrigues, mas uma "reviravolta" que durou entre "15 minutos a meia hora" culminou nos tiros contra as reféns - Eloá não resistiu aos ferimentos, e Nayara sobreviveu.

"Houve uma negociação, e tudo estava caminhando para a soltura das reféns. Tudo da forma mais tranquila. (...) Aí, em questão de 15 minutos, meia hora, a coisa mudou de figura", afirmou. Para o delegado, a "reviravolta" ocorreu no momento em que os PMs do Gate ouviram Lindemberg (Alves Fernandes) dizer que havia "um anjinho e um capetinha" falando com ele. "E o capetinha está vencendo", teria dito o réu. Após essa declaração, o Gate invadiu o apartamento e Lindemberg atirou contra as reféns.

Luditza negou que Lindemberg tenha sido agredido por policiais militares ao ser preso logo após atirar em Eloá Pimentel. "Não (foi agredido). E penso que ele também não foi agredido fora (da delegacia). Ele apenas foi contido pela Polícia Militar", afirmou, durante depoimento no segundo dia do julgamento da morte da estudante, baleada após ficar 101 horas em cárcere privado com o réu.

O delegado falou por cerca de 30 minutos, pouco antes do início do depoimento do PM do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) Adriano Giovanini. Questionado pela defesa, o delegado afirmou desconhecer uma investigação que, segundo a advogada Ana Lúcia Assad, corre na corregedoria da PM para investigar 14 agressões supostamente cometidas contra Lindemberg.

Além de Luditza e Giovanini, prestaram depoimento hoje os dois irmãos de Eloá, Douglas e Ronickson; os peritos criminais Hélio Rodrigues Ramacciotti e Dairse Aparecida Pereira Lopes, da Polícia Civil. A mãe de Eloá havia sido convocada pela defesa, mas foi dispensada e não precisou depor.

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