A Polícia Militar informou ter prendido até esta quarta-feira 139
pessoas e identificado um total de 181 por envolvimento na morte de
policiais militares neste ano. Prioridade máxima da Secretaria de
Segurança Pública do Estado, a investigação dos responsáveis pela onda
de violência que já matou 100 PMs e outras dezenas de cidadãos terá uma
integração das inteligências da Polícia Civil e Militar a partir desta
semana.
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Benedito
Meira, três delegados de Polícia Civil e três oficiais da PM integrarão
um gabinete de inteligência dentro da Secretaria da Segurança Pública
para estudar os casos de ataques e identificar e prender os
responsáveis. A prioridade da pasta é estabelecer a relação entre crimes
de chacina e os atentados contra policiais. "Nosso primeiro foco é este
ataque. Vamos descobrir por que estão ocorrendo estes crimes e se tem
vínculo com os ataques a policiais", afirmou durante formatura de
soldados na última sexta-feira.
Reuniões diárias
O novo secretário de Segurança Pública de
São Paulo, o ex-procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira,
teve uma primeira semana de gestão com reuniões diárias junto à cúpula
das polícias. Nas duas únicas manifestações públicas desde que assumiu o
cargo, uma durante visita do governador Geraldo Alckmin (PSDB) à favela
de Paraisópolis e outra na manhã de sexta-feira em formatura de
policiais, declarou a intenção de aprofundar a parceria com o governo
federal no campo da segurança.
Sobre os encontros que tem mantido com o delegado Mauricio Blazeck e o
coronel Benedito Roberto Meira, afirmou que são discutidas as
estratégias a serem implementadas na repressão à onda de violência - sem
discorrer sobre os detalhes destas estratégias. Na manhã de sexta, o
comandante da Polícia Militar, coronel Benedito Meira, disse que nestas
reuniões é realizado uma análise dos acontecimentos das noites
anteriores e são estabelecidas estratégias para o enfrentamento das
ações criminosas.
Uma das primeiras diretrizes da nova gestão, de acordo com
manifestações do governador e do secretário, é a diminuição do espaço de
tempo em que um crime foi cometido e a chegada da Polícia Científica
para periciar o local. Acredita-se que a chegada rápida de uma equipe de
legistas está diretamente relacionada com as possibilidades de solução
de um homicídio. "Vamos aprimorar o tempo de chegada do Instituto de
Criminalística ao local do crime. Isto é muito importante", disse
Grella. Segundo o diretor da Polícia Técnico-Científica, Celso Perioli,
não há um prazo específico. "O prazo é o mais rápido possível", afirmou.
Ele diz que este tempo atualmente tem sido de 56 minutos, em média.
Reforma no DHPP
Os encontros diários incluíram até uma
reunião com o governador durante o último fim de semana, segundo o
próprio Alckmin. "Domingo até despachei longamente com o doutor Grella",
disse a jornalistas, sem mais detalhes. A mudança do secretário foi
marcada por uma mudança no discurso do governador. No fim da gestão de
Antonio Ferreira Pinto, com um saldo diário de até 10 mortes na
periferia, Alckmin citava estatísticas consideradas positivas para
responder ao questionamento de jornalistas sobre a onda de violência.
Com a mudança de secretário, passou a dizer que a meta é voltar às boas
taxas.
Grella afirmou que deve visitar nesta semana o Departamento de
Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para apurar as carências do órgão
responsável pela investigação de mortes. Para Perioli, a transferência
da investigação de todas as ocorrências dos chamados "autos de
resistência" da Polícia Militar afogou o órgão. "Nós temos que
restabelecer um sistema diferenciado para dar resposta mais rápida aos
casos, não se pode em um plantão que atende homicídios todas as
resistências de uma cidade como São Paulo e Grande São Paulo serem
levadas a um único lugar", afirmou.
Onda de violência
Desde o início do ano, 100 policiais foram assassinados no Estado. Desse
total, 21 eram aposentados e três estavam em serviço. Além disso, o
Estado continua a enfrentar um grande índice de violência. Segundo dados
da Secretaria de Segurança Pública, só na capital foram registrados
1.135 casos de homicídios dolosos entre janeiro e outubro, mais do que
todo o ano de 2011. O mês de outubro foi o mais violento dos dois
últimos anos na cidade, com 176 mortos. Em todo o Estado, foram 4.007
casos registrados desde janeiro.

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