domingo, 8 de fevereiro de 2015

Camisinhas são vendidas a R$ 2068 na Venezuela

Além das filas para compra de itens básicos, como açúcar, carne de frango e até papel higiênico, os venezuelanos enfrentam também a escassez de outro produto importante: está difícil encontrar camisinhas e, mais ainda, pagar por elas, segundo reportagem da Bloomberg Business.

"O país está tão bagunçado que agora nós temos que esperar em fila para transar", contou um venezuelano à reportagem.

O colapso dos preços do petróleo, que representa 95% das receitas em divisas do país, agravaram a falta de produtos como fraldas, desodorantes e o já citado preservativo, de acordo com o site.

As camisinhas e outros contraceptivos sumiram das farmácias desde dezembro do ano passado. Mas ainda há como comprar: no site MercadoLibre, usado pelos venezuelanos para obter produtos escassos, um pacote com 36 unidades do preservativo Trojan pode ser adquirido por 4.760 bolívares, em torno de R$ 2068,70.

O valor corresponde a uma boa parte do salário-mínimo venezuelano, que é de 5.600 bolívares.

Saúde pública

A escassez de preservativos é, ainda de acordo com a Bloomberg, um efeito da falta de dólares entre importadores, e o problema vai muito além das relações sexuais. A Venezuela tem uma das taxas mais altas de infecção pelo vírus HIV e de gravidez na adolescência da América do Sul. Como o aborto é ilegal, a falta do preservativo piora o quadro de uma questão de saúde pública.

A falta desses produtos "ameaça todos os programas de prevenção" em todo o país, disse Jhonatan Rodriguez, da organização sem fins lucrativos StopHIV. "Sem camisinhas, não podemos fazer nada".

Outros especialistas alertam para o possível aumento nos casos de mortes de mulheres que vão para clínicas clandestinas abortar e, também, para o impacto econômico, já que mais jovens estariam longe das escolas e do mercado de trabalho devido à gravidez.

"Uma gravidez indesejada na adolescência é a marca do fracasso de um governo: fracasso na economia, na saúde pública e na política educacional", disse à Bloomberg Carlos Cabrera, vice-presidente da filial local da organização International Planned Parenthood Federation (IPPF).

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