terça-feira, 2 de novembro de 2010

Apenas 22% dos ginecologistas sabem como funciona a pílula do dia seguinte


Não é só na seara política que temas relacionados ao aborto provocam controvérsia. Até entre ginecologistas há divergências em relação ao método contraceptivo de emergência, também chamado de pílula do dia seguinte.

Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que um em cada cinco médicos considera o método, introduzido no país por uma lei de 1996, como provocador de um microaborto. Para 56,9%, o contraceptivo interfere na implantação do óvulo no útero.

E apenas 22,3% afirmaram que a ação da pílula se dá antes da fecundação, conforme mostra a literatura científica. Para o autor do estudo de mestrado, o biólogo William Alexandre de Oliveira, o resultado aponta que questões religiosas e pessoais interferem na visão dos profissionais, mesmo diante de evidências médicas.

“É difícil mesmo explicar como quase 80% dos médicos têm uma percepção errada do método contraceptivo de emergência. Só podemos atribuir isso a verdades pessoais”, diz Oliveira. A pesquisa dele consultou 3.337 ginecologistas de todo o país — cerca de 17% do total de profissionais no Brasil ou 34% dos que atendem no Sistema Único de Saúde (SUS).

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