
A partir desta sexta-feira, novas cadernetas de poupança ou depósitos feitos nessa modalidade poderão ter nova remuneração, de acordo com anúncio feito nesta quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A remuneração da poupança passará dos atuais 6,17% ao ano para 70% da taxa básica de juros (Selic), mas somente quando a taxa básica de juros da economia for igual ou menor que 8,5% ao ano. Como atualmente a Selic está em 9% ao ano, os rendimentos das cadernetas novas ainda não serão atrelados à taxa básica de juros.
Com a mudança, o governo espera poder baixar mais os juros básicos da economia brasileira. Na tentativa de afastar fantasmas da história brasileira (quando o ex-presidente Fernando Collor promoveu o confisco das poupanças), Mantega assegurou que não haverá perdas aos poupadores. "Não há rompimento de contratos, não há nenhuma usurpação de direitos, não há nenhum prejuízo para os atuais detentores das cadernetas de poupança", disse.
O obstáculo até agora era a poupança, já que quanto menor os juros, menor também é o rendimento de outros modelos de investimento que usam a Selic como base de remuneração. Com o rendimento do jeito que está, se a Selic baixar mais (como quer o governo), a poupança passará a render mais do que os outros fundos de renda fixa. Assim, os investidores tendem a depositar dinheiro na caderneta de poupança em vez de comprar títulos do Tesouro Nacional.
O Tesouro vende títulos públicos como forma de prolongar a dívida interna do País. Esses papéis também são uma forma de investimento para os compradores, que ganham juros por "emprestar" dinheiro ao governo por um determinado período de tempo. Sem esses compradores, o governo deixa de arrecadar dinheiro para alongar a dívida, tendo que custeá-la com recursos que poderiam ir para áreas prioritárias, como saúde, educação e segurança.
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