segunda-feira, 7 de maio de 2012

Passageiros relatam cenas de violência e sexo em Estação


É a partir das 22h que os donos começam a tomar conta de casa. Chegam em grupos de três, quatro ou até cinco. Já perto da meia-noite são cerca de 20 reunidos. A maioria é de crianças ou adolescentes. Bebem, comem, dormem, transam, usam e até vendem drogas. Tudo isso dentro da segunda maior estação de transbordo de Salvador, a Pirajá.

Numa convivência nada pacífica, eles brigam... e muito. É comum que haja agressões com garrafadas e facadas. “Esses meninos vivem em pé de guerra. De madrugada, quando eu ia chegando, já vi um ferido. Isso aqui acontece sempre”, relata um segurança da estação por onde passam 160 mil passageiros por dia.

Quem circula pela estação sofre com a degradação do equipamento público. Os usuários penam nos banheiros de insuportável fedor e com a falta de segurança para protegê-los jovens infratores que lá moram. Isso mesmo, moram. “Tem uns dez que vivem aqui. Dormem em cima do telhado da estação, cheiram pedra, cola e passam o dia na espreita para roubar passageiros”, revela um vendedor de lanches.

Os menores são alimentados no vício por um traficante conhecido como Rony, que lucra com o fornecimento de drogas para o grupo. Para ele, a Estação Pirajá é um paraíso. Segundo a Polícia Militar, uma viatura da 48ª Companhia Independente (Sussuarana) fica no local nos horários de pico, entre 18h e 22h.

Após esse horário, aparece periodicamente em rondas que não conseguem coibir a ação dos adolescentes. A partir da 1h, quando praticamente não há mais passageiros, o uso e a venda de drogas viram a principal atividade da estação.

A equipe do CORREIO esteve no local durante a madrugada e flagrou crianças que aparentavam cerca de 12 anos em negociações. O consumo de drogas acontece na cobertura metálica, que é facilmente acessada por dos galhos das árvores em volta da estação.

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