
No depoimento que presta à Juíza Marixa Fabiane Lopes, no Tribunal do Júri de Contagem (MG), o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, faz denúncias contra o delegado Edson Moreira, a quem acusa de tê-lo torturado psicologicamente. Bola, que se recusa a responder as perguntas da juíza, diz que Moreira teria ameaçado de morte a família dele por pelo menos duas vezes: "a toda hora ele me ameaçava dizendo que queria pelo menos a perna da moça porque a carreira dele estava em jogo".
O ex-policial afirma que o alvo das ameaças era principalmente uma filha dele que mora em São Paulo: "Ele (Moreira) chegou no meu rosto e falou que não tinha medo de mim. Perguntou há quantos meses eu não via minha filha. Eu respondi quatro. Ele perguntou: - Você já pensou ver sua filha retalhada igual o que você fez com Eliza Samudio?".
Marcos Aparecido dos Santos disse para a juíza que ele e Edson Moreira são inimigos, já que quando Bola era aluno de Moreira na academia de polícia os dois teriam tido um desentendimento: "Ele falava que trabalhava na Rota quando foi policial em São Paulo. Eu dizia que ele era da cavalaria (da PM de SP)".
O ex-policial afirmou ainda que durante uma atividade na Acadepol Moreira o teria questionado sobre uma farda que ele usava. A partir daí os dois passaram a ser inimigos. Bola disse para a juíza que foi levado para Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa (DIHPP) quatro vezes durante a apuração do inquérito da morte de Eliza. Em uma das vezes, Edson Moreira teria feito uma proposta para Bola: "Ele pediu R$ 2 milhões para eu e o Bruno sermos soltos. Os outros réus seriam incriminados mediante esse pagamento. Ele pediu para mim pedir ao patrão", se referindo ao Bruno.
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