sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Vilma Reis falou de diversidade para educadores de Itabuna


Ancestralidade, identidade e resistência. Foram esses os três princípios básicos definidos pela mestra Vilma Santos Reis como necessários à construção das diretrizes curriculares da Educação Étnico-Racial na Rede Municipal de Ensino de Itabuna. A professora, que integra o grupo gestor do Programa de Educação e Profissionalização para Igualdade Racial e de Gênero (Ceafro), unidade de extensão da (Ufba), fez a afirmação durante o V Seminário Étnico-Racial promovido pela Secretaria da Educação nesta sexta-feira, dia 5.

“A não discussão de diferenças no ambiente da escola gera desigualdades. Portanto, há a necessidade de que ao lado do direito da igualdade se afirme o direito da diferença”, frisou. Fazendo uma retrospectiva da história dos negros no Brasil, desde a diáspora, passando pelos quilombos e revoltas, Vilma Reis, transformou sua palestra, numa magnífica aula sobre a cultura negra, focando as visões colônias vigentes, as feridas abertas pelo racismo e a urgente necessidade de se promover políticas públicas afirmativas.

Lembrando a sua própria trajetória de vida e as situações de racismo que teve que enfrentar para de se tornar uma das mais importantes estudiosas do Brasil sobre a cultura negra, Vilma Reis criticou ao que ela chamou de “estelionato intelectual na educação brasileira”, o fato de que nos livros didáticos utilizados nas escolas a história da cultura afro-brasileira e indígena ainda não terem o tratamento previsto pela Lei 10.639/03.

“Não podemos mais aceitar que negros e índios sejam tratados como minorias, carentes e esforçados. Precisamos, a partir da sala de aula, desconstruir essas visões a partir da educação infantil para que as nossas crianças não saiam sequeladas do ambiente da escola”, argumentou a mestra.

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