(foto:Radar Noticias)Crise na Cadeia Pública de Buerarema, a 451 quilômetros de Salvador, no sul do estado. A polícia deixou de fazer a custódia dos presos, que reclamam da sujeira e da superlotação na cadeia. A cadeia funciona num antigo prédio da prefeitura.
‘A gente não consegue dormir direito, muito lixo no pátio. A gente está disputando espaço com os ratos e baratas. À noite, os ratos ficam passeando e até entram nas celas. A gente tem que ficar acordado à noite toda para impedir que os ratos entrem nas celas’, conta o preso Davi da Silva.
A gente consegue perceber melhor a situação entrando em uma das celas. Uma delas foi desativada desde a última fuga, no dia 17 do mês passado. A situação é realmente precária. Há muita sujeira deixada pelos presos. Há indícios de que ratos passaram pelo local. Na parede, muitas baratas. O mau cheiro é insuportável. Há um grande buraco por onde cinco homens fugiram e continua aberto.
A sujeira está por toda a parte. A cadeia está sem zelador há quatro meses. O único carcereiro foi cedido pela prefeitura e está com o salário atrasado. ‘Tenho 500 horas extras aqui sem receber, de dia e de noite. Não abandono trabalho, não’, diz Belarmino Prudente.
O município prometeu resolver a situação até o dia 10. Desde o início deste mês, os policiais civis decidiram não vão fazer mais a custódia dos presos. Com isto, os riscos de fuga aumentam.
De acordo com a polícia, em dois anos, foram registradas três fugas e mais de dez tentativas. Por questão de segurança, estão proibidos o banho de sol e as visitas.
O delegado pede a transferência dos presos. ‘A situação é gravíssima. É um lugar desumano. Não se pode ter mais pessoas presas numa situação dessa. A sugestão foi dada pela Polícia Civil, inclusive eu pedi a interdição várias vezes e a transferência dos presos’, afirma Pedro Chauí.
Segundo o juiz de Buerarema, Antonio Higino, a transferência dos presos não é viável porque o presídio de Itabuna já está lotado. Ele também disse que uma interdição da cadeia não é recomendada porque pode incentivar a criminalidade. O juiz prometeu buscar solução com o Governo do Estado.
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