O Governo do Estado garante que, nos últimos quatro anos, a Coordenação de Defesa Civil do Estado (Cordec) recebeu e repassou para a Prefeitura do Salvador R$ 300 milhões, vindos do Ministério da Integração Nacional, para investir em infraestrutura. A Prefeitura, responsável pelas obras de contenção de encostas e de prevenção, porém, não informou onde elas foram feitas. Em matéria publicada na edição desta segunda-feira (21) no Correio*, não estava a resposta que deveria ser dada pela Secretaria de Transportes e Infraestrutura (Setin) sobre ações do município nas áreas da Vila Canária, Bate Facho e Bairro da Paz.
Em Lauro de Freitas, a prefeitura informou que captou, nos últimos dois anos, em torno de R$ 34 milhões para intervenções e teria realizado obras de contenção de encostas, drenagem em pontos críticos, limpeza de rios e desobstrução de córregos. Na Lagoa dos Patos, a prefeitura informou que “transferiu as famílias que estavam em áreas de risco para moradias seguras”, mas alegou que muitos insistem em ficar no bairro.
A reportagem do periódico esteve no local onde no ano passado Nanci Conceição de Souza, de 31 anos, perdeu dois filhos, que morreram depois que sua casa desabou. Da janela da casa onde mora atualmente, a doceira vê a mesma encosta que ocasionou a tragédia. Sem contenção, continua uma ameaça para os moradores da rua Lindolfo Barbosa, na Vila Canária. “Vai morrer mais gente, moço. Muitas famílias tiveram que ficar. A prefeitura me deu só um mês de auxílio-aluguel. Agora veio aqui e condenou tudo, mas eu vou pra onde?”, perguntou Nanci, que ainda tem um córrego passando a poucos metros da porta. “Qualquer chuvinha alaga tudo”, conta.
A mulher que sofreu as piores consequências dos temporais que caíram sobre Salvador e Região Metropolitana em abril de 2010 tem situação semelhante à de mais de 100 mil moradores de áreas de risco, segundo a Defesa Civil.
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