
O servente Cristiano Leonardo dos Santos morreu vítima de derrame cerebral na manhã de domingo. Ontem, mais de 53 horas depois, o corpo do rapaz ainda aguardava para ser sepultado no Cemitério da Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas. “Eles disseram que não tinha funcionário para cavar a terra”, relatou Rosângela dos Santos, que, apesar de ter direito a uma cova gratuita, teve de pagar R$ 700 para enterrar o irmão em uma carneira (espécie de jazigo em forma de gaveta).
A família de Cristiano foi apenas uma das prejudicadas com a paralisação dos coveiros da Quinta, único cemitério de Salvador administrado pelo governo do estado. Eles garantem estar sem receber salários há quatro meses.
A situação crítica já se arrasta há algum tempo. Normalmente, a Quinta sepulta dez corpos por dia nas suas covas rasas. Mas, por conta dos atrasos, os coveiros iniciaram uma operação padrão, e o número de enterros diários chegou a três. Ontem, a promessa era parar de vez.
Até as 11h, nenhum sepultamento foi realizado. No final da manhã, porém, segundo os coveiros, a empresa White Limp Empreendimentos e Serviços de Manutenção, terceirizada responsável pela contratação da maioria dos funcionários, pagou um mês de salários. Os coveiros, então, voltaram à operação padrão e sepultaram 6 corpos.
Antes, porém, as famílias que necessitavam enterrar seus parentes viveram momentos de incertezas, revolta e tensão. “Além da dor da perda, a gente ainda tem que enfrentar isso. Vamos fazer o quê? Levar o corpo pra casa? O corpo tá aí e eles vão ter que enterrar, nem que seja na tora”, bradava o padeiro Jorge Silva, que tentava sepultar o sogro, Júlio Campos Sales, 61. “Sei que a culpa não é deles (dos coveiros). São trabalhadores e precisam ser pagos. A culpa é do Estado. Ninguém da direção atende a gente”.
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