
Sob o sol forte, cerca de 20 homens reviram a areia do Parque das Dunas, no Litoral Norte da Bahia, à espera dos caçambeiros que levam o mineral para longe dali. Nenhum deles tem identificação, fardamento ou equipamentos de segurança. Eles só têm suas pás e a vontade de cavar.
A movimentação, flagrada pelo CORREIO nos dias 6 e 14 de dezembro, por si só já configura um crime ambiental, pois a extração de areia naquela região não tem a autorização obrigatória do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
O agravante é que as dunas ficam dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Joanes Ipitanga, espaço demarcado desde 1999 pelo governo estadual e que se divide entre sete cidades da Região Metropolitana de Salvador (RMS).
A atividade começa antes que o sol apareça, quando os primeiros cavadores chegam à lavra clandestina, ao lado do Condomínio Busca Vida. Boa parte vive a poucos metros dali, na comunidade do Mutirão, que fica entre as dunas e a Estrada do Coco. Dentre os cavadores, alguns aparentam ser adolescentes. No meio deles, pelo menos duas crianças.
Entre 5h e 6h, chegam as primeiras caçambas. Algumas estão carregadas de entulho, que é despejado no terreno e substituído pela areia supostamente protegida por lei.
Depois de abastecidas, as caçambas saem por uma estreita pista de barro que dá na Estrada do Coco. Dali, partem direto para canteiros de obras e lojas de material de construção na capital ou na RMS. No final da tarde, voltam para um novo abastecimento.
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