
É com delicadeza e simpatia no olhar, nos gestos e na voz que as amigas Rosana Migler, 31 anos, e Tanucha Taylor, 42, atendem ao CORREIO. A primeira é socióloga, nasceu em Salvador, mas mora em Barcelona, na Espanha. A segunda é cabeleireira e percorreu os 202 quilômetros que separam Ipirá da capital baiana, terra que escolheu para viver desde os 14 anos.
Lutaram. Venceram. Hoje, Rosana e Tanucha comemoram o Dia Internacional da Mulher e, a partir das 15h, as duas participam de uma caminhada em defesa dos direitos das mulheres, no Campo Grande. Nada demais, não fosse um detalhe: elas nem sempre foram Rosana e Tanucha. A socióloga não hesita em dizer que se chamava Jurandir Costa. Já a cabeleireira prefere não revelar o nome civil, mas orgulha-se em dizer que é transexual.
Os nomes foram adotados assim: “Escolhi Rosana por causa da cantora. Era uma deusa. Ficava fascinada com aquela figura forte. O Migler é por causa de um estilista que adoro”, diz Rosana. A cabeleireira explica: “Tanucha era o nome de uma cliente minha, que gostava muito. E o Taylor é porque sou fã da atriz Elizabeth Taylor”. Apesar de se definirem como mulher, ambas não passaram por cirurgia de redesignação, procedimento popularmente conhecido como mudança de sexo.
O psicólogo Carlos Alberto, que dá atendimento na Associação de Travestis e Transexuais de Salvador (Atras), explica que o indivíduo é considerado transexual desde que se “reconheça como mulher”. “No imaginário social, a ideia é que a transexual não pode ter pênis. São construções que não correspondem à realidade. Para que a indivíduo seja considerada transexual, ela deve se reconhecer como mulher, independente de passar por uma cirurgia”, orienta.
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