A pedido do presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN), o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias,
deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), cancelou a reunião do
colegiado, prevista para nesta quarta-feira (8), às 14h. Na ocasião,
poderia ser votado projeto de lei que autoriza o tratamento psicológico
ou a terapia para alterar a orientação sexual de gays.
Henrique
Alves explicou que a agenda da Casa hoje está repleta de temas
considerados polêmicos e seria prudente adiar o debate na comissão. “Fiz
um apelo porque há muita coisa na Casa, ruralistas, indígenas, a
comissão geral sobre a seca no Nordeste. Fiz um apelo pra que [o
deputado Marco Feliciano] deixasse essa pauta para outra oportunidade
porque a coisa já está com movimento demais”, explicou.
De acordo
com o presidente da Câmara, Feliciano foi compreensível e concordou em
adiar a reunião. “Ele atendeu e não vai ter reunião hoje lá [na
comissão]. Sobre o mérito do projeto de decreto da Câmara (PDC) que
trata da “cura gay”, Henrique Alves avaliou que o debate deve ocorrer de
forma equilibrada. “Há clima. O tema é afeito à comissão dele, mas é
preciso amadurecer ideia e fazer um debate menos emocional”, frisou.
Na
semana passada, o presidente da comissão decidiu colocar em pauta o
Projeto de Decreto Legislativo 234/2011, de autoria do deputado João
Campos (PSDB-GO), que, entre outros pontos, permite que psicólogos
tratem a homossexualidade como doença.
O projeto, que está sendo
chamado de Projeto da Cura Gay, propõe a suspensão da validade de dois
artigos de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, em vigor
desde 1999. Um dos trechos da Resolução nº 1/99 que o deputado quer
suprimir é o Artigo 3º, que estabelece que os psicólogos não deverão
exercer qualquer ação que favoreça que comportamentos ou práticas
homoeróticas sejam vistas como patologias (doenças), nem adotarão ação
coercitiva a fim de orientar homossexuais para tratamentos não
solicitados.

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