segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dilma e Serra evitam confronto; Plínio e Marina ganham aplausos


Quem esperava que o presidenciável do PSDB, José Serra, usasse o debate promovido pela Rede Record, na noite deste domingo (26), para questionar com mais firmeza a petista Dilma Rousseff - líder nas pesquisas de intenção de votos com a possibilidade de vencer o pleito ainda no próximo dia 3 -, acabou não tendo as expectativas correspondidas. Dilma, por sua vez, repetiu a tática dos debates anteriores e também não perguntou diretamente para o tucano. Na outra ponta, Marina Silva (PV) mostrou-se mais clara em suas propostas enquanto Plínio de Arruda Sampaio (Psol) voltou a usar da ironia. Como resultado os dois acabaram por arrancar palmas da pleteia presente no estúdio por uma porção de vezes.

Ainda no primeiro bloco, Serra teve a oportunidade de perguntar diretamente para a ex-ministra do governo Lula, mas preferiu dirigir sua pergunta, surpreendemente, a Plínio. Tentando "terceirizar" o ataque, o tucano criticou o governo brasileiro se aliar a regimes ditatoriais que "perseguem mulheres, enforcam opositores e prendem jornalistas". A tática não deu muito certo e o socialista rebateu: "isso é hipocrisia, já que os Estados Unidos é um país ditatorial e nós temos relação com ele. Por que não com o Irã?". Palmas para Plínio.

Ao justificar a propaganda eleitoral da sua candidatura presidencial passada, em 2002, na qual fomentou o medo contra um possível governo Lula contando com o depoimento da atriz Regina Duarte, o candidato do PSDB, José Serra, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o que não tinha anunciado.

"O governo Lula não mudou a política econômica do Fernando Henrique (Cardoso). Quando chegaram no governo aproveitaram as coisas boas que o governo tinha feito", comentou o tucano no segundo bloco do programa.

Questionado porque teria voltado a apostar "no medo" em sua atual campanha, Serra afirmou que não sabe de onde a jornalista Adriana Araújo "tirou essa conclusão".

Antes companheiras dentro do governo Lula, Marina e Dilma trocaram acusações sobre a atuação de ambas frente aos ministérios do Meio Ambiente e Casa Civil, respectivamente. Marina perguntou o que a petista fez para impedir a corrupção em sua pasta e a petista respondeu que em sua gestão não teve nenhum caso de corrupção que passasse sem investigação. Marina insistiu, citando os escândalos envolvendo os ex-ministros Erenice Guerra e José Dirceu, que caíram devido a escândalos. "É lamentável que isso tenha acontecido bem próxima do gabinete da presidência. Como é que isso se repetiu duas vezes?", persistiu.

Dilma rebateu: "Marina, (fiz) a mesma coisa feita por você quando ministra do Meio Ambiente, que teve processo similares, pessoas envolvidas na venda e compra de madeira do desmatamento. Isso foi objeto de investigação", respondeu.

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