
Desde o surgimento do fenômeno Luiz Caldas, que não precisou migrar para o sudeste do país - a prática mais comum até então - para fazer sucesso e vender discos, e, a partir daí, cristalizou o mercado da música ligada ao Carnaval, na Bahia; há uma tentativa de estabelecer um mercado para a música popular, mais amplo e múltiplo, que independa da festa popular periódica, e atenda à variedade da música que se faz no Estado.
Existe esse mercado? Em um segmento, egresso geralmente da classe média, existem os artistas e um público em potencial, mas a ponte entre um e outro não se deu ainda de maneira a constituir um meio em que os que se dedicam a este tipo de trabalho, possam dele tirar seu sustento. Esse papo rende há uns trinta anos, os artistas surgem e somem, sem condições de manter uma regularidade e, a partir daí, construir uma obra.
Resumindo a trajetória mais ou menos comum: o(a) sujeito (a) começa a compor ou gosta de cantar, conhece alguns músicos iniciantes como ele, resolvem montar uma banda e, a partir daí, fazer um show. O show tem alguma receptividade, a imprensa escrita tece comentários positivos, e já um bom número de pessoas comparece às apresentações. Os shows se sucedem, conseguem gravar uma demo. Com mais algum tempo, e a cancha adquirida com as apresentações, lançam o primeiro cd, bem recebido pela imprensa, e até aparecem na Tv. O próximo passo, que seria tocar no rádio, é mais complicado, pois o critério dos programadores tem um quê de misterioso, transcendente, inalcançável. Mas a turma resiste, batalha. Com mais cinco anos, outro cd lançado, todos os palcos da cidade ocupados, o teto começa a ficar baixo, e eles não têm mais pra onde crescer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário