sábado, 10 de março de 2012

Após morte de Ace, traficantes disputam Saramandaia



Com a morte de Wallace de Oliveira Santos, o Ace, 22 anos, e a prisão do seu braço direito, Emerson Santos, o Leno, 20, o governo do tráfico em Saramandaia, localidade de Pernambués, deve ganhar novos contornos, segundo a polícia. O corpo do traficante foi sepultado, às 16h, no cemitério Quinta dos Lázaros. Em torno de 150 pessoas, incluindo o pai, a mãe e o irmão, compareceram ao enterro.

Por um lado, os interesses do poderoso chefão Cosme da Paixão Lisboa, o Coe, 26, preso desde janeiro de 2010, devem ser representados por um traficante conhecido apenas como Fiapo.

Na outra ponta da disputa, porém, rivais conhecidos como Ronaldo e Pita, “donos” de um território compreendido entre as ruas das Flores e Minas Gerais também podem, de acordo com a polícia, entrar na briga pelo comando geral.
Fonte ligada à Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que esse criminoso já atuava ao lado de Wallace, mas seu nome não circulava no jogo do poder. “Ninguém falava em Fiapo, que dividia o comando com Wallace, porque ele não matava”, comenta a fonte.

Na escala hierárquica do tráfico de drogas, o sucessor natural do ditador Wallace, que atuava como uma espécie de ministro de Coe, seria Leno. “Com a morte de um e a prisão do outro, Fiapo é o nome mais cotado para a sucessão. A boca não fica desguarnecida”, ressalta a fonte.

Execução
A morte de Ace é investigada pela delegada Clelba Regina, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O “presidente de Saramandaia”, como chegou a ser denominado por moradores, foi encontrado morto, anteontem, na rua Paraíso, em Mata Escura, perto do Complexo Penitenciário. O corpo dele foi sepultado ontem à tarde, no cemitério Quintas dos Lázaros.

Antes de morrer, Ace conseguiu fugir de um cerco policial durante a Operação Saramandaia, deflagrada cinco dias após o CORREIO denunciar a atuação do criminoso na comunidade. A operação tinha como objetivo cumprir cinco mandados de prisão.

Segundo o delgado Guilherme Machado, titular da 11ª Delegacia (Tancredo Neves), Wallace estava refugiado naquela região e pode ter sido executado por uma facção rival. “Ninguém gosta de um traficante tão procurado na sua área. Pode ter sido uma retaliação por estar em território que não o pertencia”.

A fonte da SSP, porém, ressalta outra hipótese: “O serviço de inteligência recebeu a informação de que Coe mandou matar Wallace. Ele desafiou a cadeia e Coe não estava gostando da administração”.

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