segunda-feira, 28 de junho de 2010

O único time gay do país busca o fim da discriminação em campo e recebe novos jogadores


“Que time é teu”, “bola nas costas”, “bola murcha”, “enfiadas”... O futebol é o reino das piadas de duplo sentido. E do preconceito também. Só isso para explicar o seguinte fato: temos a maior parada gay e o melhor futebol do mundo, mas, mesmo assim, as duas coisas parecem não se misturar muito bem por aqui – pelo menos, não publicamente.

Érico Santos é presidente do CDG Brasil (o Comitê Desportivo das Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais brasileiro) e sempre foi esportista. “Jogo vôlei, handebol, fui fundista no atletismo... O que vier, eu jogo. No futebol, eu agarro”, ele diz, já pondo malícia na declaração. Há dois meses, o jovem, que à noite transveste-se de Anabela Balone, lidera uma empreitada para varrer a discriminação dos gramados e formar um time de futebol gay. A ideia surgiu quando ele soube da existência dos Los Dogos e quis marcar um amistoso contra o time multicolorido de nossos hermanos argentinos. Esse seria o pontapé inicial, para depois participarem do Gay Games, do Out Games e da Copa do Mundo Gay – todas competições do segmento. “Por falta de verba e organização interna, o CDG Brasil ainda não conseguiu enviar atletas para essas competições internacionais. O Gay Games até tem um fundo internacional para custear as viagens de atletas de países em desenvolvimento, mas o Brasil não está na lista”, lamenta Érico.

Até o momento, o time conta com sete jogadores, dos quais cinco toparam mostrar as caras para a reportagem da Trip. Eles souberam da iniciativa através de cartazes que Érico espalhou pelos cantos GLS da cidade, convocando homossexuais, transexuais e simpatizantes a mostrarem seus dons com a bola. Nenhum deles têm experiência profissional no esporte, no máximo jogam peladas com amigos, mas aderiram à causa vislumbrando uma mudança que ultrapassa o muro dos estádios.

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