O Secretário nacional de Futebol do Ministério do
Esporte, Antonio do Nascimento Filho, criticou hoje (7) a proibição da
venda de bebidas alcoólicas nos estádios. De acordo com o secretário,
com a regulamentação do Estatuto do Torcedor, a decisão passará para
estados e municípios. Ao participar do 2º Seminário Gestão Esportiva da
Fundação Getulio Vargas (FGV), Nascimento disse que a proibição causa
problemas de segurança ao próprio torcedor e defende que a venda
beneficia os clubes.
"Recebi um estudo do
Botafogo sobre o Engenhão que fala que, com a proibição, 55% do público
passaram a entrar entre 20 minutos antes e dez minutos depois do início
do jogo, o que cria um problema de segurança. Esses novos estádios vão
pressupor uma mudança em relação a esse processo", disse. "O que é
melhor, o cara gastar um dinheirão do lado de fora bebendo cachaça e
cerveja ou gastar no estádio, e o dinheiro ir para o clube? Em jogos
como os do Náutico, a Ilha do Retiro fica vazia com o público bebendo do
lado de fora e, quando chega na hora de entrar, enche a fila. Não
consigo entender isso".
Para
o secretário, a proibição ocorre por uma ambiguidade no texto do
estatuto, que será corrigida até o fim do ano com a regulamentação.
Toninho explicou que o texto está na Comissão Especial de Estudos,
criada pelo Ministério do Esporte, e será enviado à presidenta Dilma
Rousseff. "Hoje, o que o estatuto diz é meio dúbio e leva o Ministério
Público a proibir. O que a gente vai dizer é que passa a ser decisão dos
estados e municípios e sai do estatuto".
A
única menção a bebidas no estatuto consta no Inciso 2 do Artigo 13-A,
que trata das condições de acesso e permanência do torcedor no estádio, e
prevê que ele "não deve portar objetos, bebidas ou substâncias
proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de
violência". O Estatuto do Torcedor proíbe o consumo de bebidas
alcoólicas nos estádios brasileiros durante competições oficiais. A
proibição foi flexibilizada com a promulgação da Lei Geral da Copa
(12.663/2012), que permite a venda nos estádios para atender ao pedido
da Fifa. A lei diz que o comércio de bebidas alcoólicas é permitido
apenas em eventos internacionais, como foi o caso da Copa das
Confederações 2013 e, em breve, a Copa do Mundo 2014.

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