sábado, 9 de abril de 2011

Especialista da USP faz duras criticas a plano nuclear do Brasil


A polêmica sobre usinas nucleares que se instalou mundialmente após os incidentes que provocaram vazamento radiativo em Fukushima, no Japão, também atingiu o programa nuclear brasileiro. Enquanto o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Edson Kuramoto, defende a manutenção dos planos de expansão, grupos ambientais, como o Greenpeace, e especialistas na área criticam duramente o projeto.

Em entrevista exclusiva ao Terra, o professor Ildo Luís Sauer, doutor em engenharia nuclear pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP), vai além do discurso imediato dos riscos de acidente. O especialista aponta problemas que considera "heranças difíceis" caso o País leve adiante a ideia de construir mais quatro usinas até 2030 - além de Angra 3, no Rio de Janeiro, que está sendo terminada.

"O Brasil tem recursos naturais que interferem menos com a biosfera. São do ciclo hidrológico e do ciclo eólico, da própria biomassa, que deixam menos impactos que qualquer um dos outros. A energia nuclear deixa dentro da terra, em algum lugar, um material perigoso, que sujeito a outras atividades naturais, como terremotos, tsunamis e mudanças no equilíbrio geológico, exige cuidados de 300 a 2.000 mil anos. São heranças difíceis", diz Sauer.

O pesquisador concluiu a pouco um estudo em que tenta provar que o País é capaz de atender à demanda futura sem a necessidade das novas usinas nucleares. "A população brasileira, segundo o IBGE, vai se estabilizar em 2043, chegando próximo aos 220 milhões de habitantes. Se nós formos dobrar o consumo per capita de energia de hoje, de 2,5 mil quilowatts/hora por ano, para 5 mil, nós podemos produzir toda a demanda de energia combinando a apropriação de 50% do potencial eólico hoje existente no Brasil e 70% do potencial hidráulico, com alguma complementação térmica nos períodos hidrológicos críticos, para diminuir o custo. Então o Brasil tem essa capacidade", afirma.

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