
Quando Maria Lúcia dos Santos Gomes, a Nem Gorda, mandava o Bonde da Nem tocar o terror no Subúrbio Ferroviário, o primeiro passo da quadrilha era tocar a campainha da casa de um policial militar reformado. O PM, sogro da traficante, guardava na garagem de casa, no Alto do Tanque, os dois carros usados nas matanças, um Corsa e um Stilo - este apreendido pela polícia. Os dois pertencem a Maria Lúcia.
O PM, que não teve o nome revelado pela polícia para não atrapalhar as investigações, é pai de criação do cabo do Exército Alex Brito das Neves, o Grilinho, apontado pelo titular da 5ª Delegacia, em Periperi, Antonio Carlos Magalhães, como chefe dos matadores do bonde e substituto da mulher à frente da quadrilha.
A casa fica na região que funciona como quartel general de Nem Gorda, nas imediações da Travessa dos Dendezeiros. Mas as ligações da quadrilha não se resumem a policiais militares. Segundo a delegada titular do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Joana Angélica Santos, responsável pelo caso, Grilinho é cabo do Exército. “Na operação que prendeu Nem, a polícia encontrou documentos que informam que Grilinho é do Exército”, afirmou a delegada.
Segundo denúncias documentadas na 5ª Delegacia, integrantes da quadrilha circulam pelo Alto do Tanque com pistolas automáticas e escopetas, armas de uso exclusivo da PM e das Forças Armadas.
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