Ele nasceu no Complexo do Alemão, tem nove irmãos - quatro mulheres e
cinco homens -, aos 16 anos entrou para o tráfico de drogas e ficou
conhecido como Mister M. “Não dormia direito, não ficava com a família”.
Todas as informações fazem parte do passado de Diego Santos, hoje com
27 anos, membro do Grupo Cultural AfroReggae, modelo e cinegrafista.
Escolhido para ser garoto-propaganda da marca Reserva, ele marcou
presença no primeiro dia do Fashion Rio, nesta quarta-feira (7), falou ao Terra com exclusividade sobre seu passado e seus planos para o futuro.
Diego se tornou o Mister M., um dos líderes do tráfico do Complexo do
Alemão, ainda jovem. “A maioria dos meus colegas entrou, só ficava com
eles e entrei também”, contou ao ser perguntado se havia recebido
convite ou pressão para fazer parte do negócio. “Só pensava se ia estar
vivo no dia seguinte, não via nada ninguém, só o pessoal do tráfico”,
lembrou.
No dia 27 de novembro de 2010, tudo mudou. “Quando soube da invasão no
Alemão, sentei, fiquei pensando e falei ‘chega’”, contou. Diego decidiu
se entregar à polícia e ficou preso por nove meses. “Pensei na minha
família, tinha dois irmãos na igreja, sempre corria deles, porque na
época não queria nada”, disse. Preso, ele recebeu a visita do “cabeça”
do Afroreggae, José Junior, que o intimou a fazer parte do grupo assim
quando ganhasse a liberdade. “O Afroreggae me deu um sonho”, declarou.
Diego foi solto e começou a trabalhar no grupo como cinegrafista do programa Conexões Urbanas,
transmitido pelo Multishow. “O Afroreggae está dando oportunidade para
todo mundo que quer sair do tráfico. Estou achando o máximo, estou
servindo de exemplo para os jovens que querem entrar no tráfico saberem
que é ruim. Dá para sair e ser feliz”, afirmou.
Morre Mister M, nasce Diego
Diego se mudou para Santa Teresa, onde malha todos os dias. “Faço
musculação, aeróbico, jump, tudo isso aí. Agora posso levar minhas
filhas na escola - duas meninas, 3 e 4 anos -, ir ao shopping, passear
na praia, andar sem ficar olhando para os lados preocupado”,
complementou.
Diego também passou a frequentar as igrejas Universal e Assembleia de
Deus, junto com os irmãos e a mãe. “O recado que eu dou para quem ainda
está nessa vida é que existe vida fora disso. Quem está dentro é difícil
de ver, sei por que já estive na pele, mas é só ter esperança. Fazer o
que eu fiz (se entregar) é muito melhor”, disse.
“Quando eu estava no tráfico, não tinha sonhos”
“Quando o Afroreggae gravou um episódio do Conexões Urbanas no
Alemão, quando eu ainda era do tráfico, me perguntaram qual era o meu
sonho e eu disse ‘nenhum’”, lembrou. Por falta de um, agora Diego tem
vários. Apaixonado por novelas - “assisti todos os capítulos de Avenida Brasil,
foi muito boa” - ele quer atuar. “Me imaginei fazendo novela, faria
qualquer papel, porque quando a gente gosta, faz com amor”, disse. Ele
ainda não conseguiu fazer um curso de teatro, mas está nos planos.
Desfilar é o segundo sonho. Depois de fazer um ensaio clicado por JR
Duran, ele quer estar nas passarelas e disse não ter timidez que o
segure. “Toparia muito desfilar, é meu sonho. Fiz o ensaio e curti
muito, foi tranquilo”, disse.

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