terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Mãe de jovem morta por PMs em ação desastrosa pede fim de impunidade

A mãe de Haíssa Vargas Motta, jovem de 22 anos morta durante uma abordagem da Polícia Militar (PM no ano passado), Sônia Vargas Motta, disse hoje (12) que o vídeo da ação divulgado pela revista Veja confirma que sua filha foi vítima de um crime e é preciso acabar com a impunidade do policial que, afastado, fica trabalhando administrativamente.

O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro anunciou hoje (12) que vai denunciar o PM Márcio José Watterlor por homicídio doloso. "Soltaram o nosso grito de dor com esse vídeo. Se eu cometesse um crime, eu seria presa, mas ele não. A nossa vida parou e a gente não consegue trabalhar. Os policiais atiraram primeiro para depois perguntar. Não é possível que isso continue a acontecer, não quero acreditar que tenha sido esse ensinamento que esse cidadão desobedeceu. Me nego a acreditar que ele tenha sido treinado para atirar e depois perguntar. O procedimento foi totalmente errado. Isso só redobra e aumenta a dor”, protestou.
Já o pai de Haíssa,  Ironildo Motta da Silva, disse que a atuação dos policiais foi equivocada, mostrou falta de treinamento e de postura militar. “É um despreparo total que nos causou uma dor muito grande. Hoje, nós estamos revendo tudo de novo e é uma segunda dor, ainda maior, insuportável. Esse vídeo veio para nos ajudar a reavivar o crime, que até então havia ficado esquecido. Durante cinco meses, o nosso governo, nosso estado, não se pronunciou sobre o caso. E esse vídeo, nesse sentido, foi um presente para a gente. Até então, minha filha era como um bicho jogado no lixo, mas a minha filha não é nem bicho e nem lixo. A minha filha, uma menina que ia cursar a faculdade, foi tratada como eles tratam bandidos”. 
Em um encontro com empresários no Rio, o governador Luiz Fernando Pezão, lamentou a morte da jovem Haíssa e disse que o seu governo tem um compromisso com uma melhor formação dos policiais militares.
“Eu tenho certeza que vamos melhorar muito a formação dos nossos policiais, mas isso é um processo demorado”, disse. Pezão considerou a morte da jovem um erro, fruto da imperícia da atuação policial.
“É importante lembrar que foram as câmeras que estavam dentro do carro da polícia, fruto da tecnologia que estamos implantando cada vez mais no aparato policial. Foram as câmeras que detectaram os erros”.
Além disso, o governador destacou que o tempo de formação do policial no Rio de Janeiro é igual ao de outros lugares do mundo: “[a formação] é a mesma que há em todo lugar. O período que ele passa, de seis a oito meses, é o mesmo em qualquer lugar do mundo”, disse.
Ação desastrosaPouco tempo depois após a perseguição começar, o policial Márcio José Watterlor Alves coloca o corpo para fora da viatura e dispara sete tiros. Mesmo com os pedidos de calma por parte do companheiro, ainda são disparados mais dois tiros. Como justificativa, os policiais alegaram que o motorista era um homem pois estava de boné.
Em seguida, o HB20 para e os policiais descem aos berros. "Desce do carro. Desembarca todo mundo do carro", falaram. No mesmo instante, começam os gritos de socorro de dentro do veiculo. "Acertaram aqui, acertaram ela. Pelo amor de Deus", avisa uma das amigas de Haíssa.
A jovem, baleada nas costas, é levada para o hospital, e duas das passageiras fazem o trajeto no banco de trás da viatura. No caminho, enquanto uma delas chora, um dos policiais repreendem a ação das meninas: "Vamos manter a calma, gente. Tá complicado". A mulher pede desculpas, e o PM completa: "Por quê não pararam? C..., vidro aberto. Não, não justifica ter dado tiro, tá bom? Não justifica".
O caso aconteceu no dia 2 de agosto de 2014 e só agora as imagens foram divulgadas. Haissa Vargas Motta, 22 anos, chegou a ser socorrida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Na certidão de óbito, consta hemorragia interna por ferimento penetrante no tórax, com lesão no pulmão direito. 
Polícias já haviam participado de ação com morte
Os mesmos policiais militares participaram de outra ocorrência que também terminou em tragédia. Segundo a GloboNews, em 13 de março do ano passado, os soldados Delviro e Márcio estavam em patrulhamento quando foram alertados de que um carro havia sido roubado. Houve uma perseguição, seguida de troca de tiros.
O carro roubado parou. O motorista do carro, identificado como Joel Pereira de Carvalho, estava sendo feito refém por três assaltantes. Ele foi baleado e morreu.

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