O prédio do casal Matsunaga, na Vila Leopoldina, Zona Oeste, tem um
ponto cego entre a garagem e a área de serviço do apartamento onde
Marcos, executivo da Yoki, foi esquartejado pela mulher Elize. A
possibilidade de entrada e saída do edifício sem monitoramento pelas
câmeras reforça a suspeita da participação de outra pessoa na execução
do crime, afirma o Ministério Público.
Laudo do IML (Instituto Médico Legal) revelou a presença de material
genético masculino no apartamento incompatível ao de Marcos e Elize, um
indicativo de que outra pessoa esteve no local. A perícia também
constatou dois tipos de cortes diferentes no corpo do executivo, um
deles com precisão cirúrgica e o outro de alguém sem conhecimento
técnico. O resultado desses exames fez com que o Ministério Público
exigisse um outro inquérito policial.
A existência do ponto cego no prédio dos Matsunaga foi confirmada
pelo síndico e subsíndico do edífício e reforçada por Luiz Carlos
Lózio, funcionário da Yoki e amigo de Marcos, que prestou depoimento
anteontem.
Durante a investigação, a polícia sempre descartou a hipótese de
Elize ter um comparsa. A prova usada para sustentar essa tese era a
imagem das câmeras do elevador que mostram a acusada saindo do prédio
sozinha com três malas.
Elize sabia do ponto cego. Ela chegou a fazer comentários sobre a
falha no sistema de monitoramento do edifício a uma testemunha que já
prestou depoimento à polícia.
O promotor José Carlos Cosenzo, responsável pela denúncia de Elize,
diz que a descoberta abre um leque de possibilidades para coautoria do
assassinato. Dez pessoas que tinham acesso ao apartamento serão
submetidas a exame de DNA. “Tecnicamente, existe a certeza de uma
terceira pessoa no momento do crime”, diz Consenzo.
O DIÁRIO entrou em contato com o advogado da acusada, Luciano
Santoro, durante toda a tarde de ontem, sem sucesso. Elize está presa na
Penitenciária Feminina de Tremembé, a 135 quilômetros da capital.

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