quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Família de Ubiratan vai recorrer da decisão que absolveu Cepollina

O advogado Vicente Cascione, contratado pela família do coronel Ubiratan Guimarães, afirmou nesta quinta-feira que irá entrar com um recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para reformar a decisão do júri popular que absolveu Carla Cepollina, ex-namorada de Guimarães, da morte de seu cliente. Em um julgamento que durou três dias e foi encerrado na quarta-feira, na 1ª Vara do Júri de São Paulo, ela foi absolvida do crime, ocorrido em 2006.

Cascione afirma que quem foi julgado foi Ubiratan Guimarães, e não Carla Cepollina. "Ela se salvou com uma versão que ela criou e acreditou. Ninguém (da família de Ubiratan) se conforma com o desfecho", disse ele. A decisão de Cascione, de recorrer, é semelhante àquela tomada por ele próprio na ocasião em que Ubiratan Guimarães foi julgado e condenado a 632 anos de prisão, em 2001, quando considerado culpado pela invasão do Carandiru, em 1992, que resultou na morte de 111 presos.

Quando o julgamento ocorreu em segunda instância, em 2006, a decisão foi reformada pelo conselho de desembargadores do TJ-SP e Ubiratan acabou absolvido. Ao final do júri de Cepollina, Cascione afirmou que o fato de Ubiratan ter comandado o massacre do Carandiru influiu na decisão dos jurados ao apreciarem o caso da ré.

"Ele foi massacrado durante anos, anos e anos como autor de uma chacina que não houve", afirmou o advogado. "Julgaram o coronel Ubiratan, condenaram o coronel Ubiratan. Julgaram constrangidos porque tiveram de afrontar a prova. Mas eu respeito a decisão dos jurados", disse ele. "Ainda assim, vamos fazer o que está ao nosso alcance para corrigir a decisão".

Conhecido por ter comandado a operação policial que resultou no massacre da Casa de Detenção de São Paulo, o coronel Ubiratan foi encontrado morto com um tiro em seu apartamento, em setembro de 2006, nu e enrolado em uma toalha de banho. De acordo com a acusação, Carla Cepollina matou o então ex-namorado por ciúme, já que a vítima teria um envolvimento amoroso com uma outra mulher, a delegada federal Renata Madi.

Única acusada pelo crime, ela respondeu por homicídio qualificado por motivo torpe e por ter cometido o crime com a impossibilidade de defesa da vítima. Em caso de condenação, poderia pegar entre 12 e 30 anos de reclusão.

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