sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Eu não quis fazer isso. Eu tive", diz rebelde que comeu órgão de inimigo

Parecia exagerada demais, algo típico de propaganda de guerra. Mas a notícia de que um comandante dos rebeldes sírios teria comido o coração de um soldado inimigo sob aplausos de seus homens acabou sendo confirmada - ao menos em partes. Abu Sakkar, o líder do Exército Livre da Síria que aparece comendo um órgão em um vídeo divulgado na internet, não tinha tanta certeza sobre os detalhes quando o entrevistei.

"Eu realmente não me lembro", disse ele, quando perguntei se tratava-se de um coração humano, como foi dito na época, ou um fígado, ou ainda um pedaço de um pulmão, como me relatou um médico que assistiu ao vídeo. "Eu não mordi, apenas segurei para mostrar aos outros", acrescentou.

Nas imagens que rodaram o mundo, Sakkar está acima do corpo de um soldado inimigo, retalhando o cadáver. "Parece que você está fatiando um coração de Dia dos Namorados", diz um dos rebeldes. Pouco depois Abu Sakkar pega uma mão cheia de algum material não identificado e declara: "Nós vamos comer seus corações e seus fígados, seus soldados de Bashar, o cão" - em referência ao presidente sírio Bashar al-Assad.
No momento seguinte, ele traz a mão até a boca e seus lábios se fecham ao redor daquilo que está segurando. Na época em que o vídeo foi divulgado, em maio, telefonamos para ele e Sakkar nos confirmou que havia dado uma mordida.

Agora, frente a frente, ele parece mais sóbrio - embora fique com mais raiva quando pergunto por que fez isso. "Eu não quis fazer isso. Eu tive que", ele me conta. "Nós temos que aterrorizar o inimigo, humilhá-lo, da mesma forma que ele faz conosco. Agora, eles não vão ousar estar no mesmo lugar onde Abu Sakkar estiver", diz.

Aos 27 anos, Sakkar é um beduíno parrudo, com olhar intimidador. Sírio do distrito de Baba Amr, na cidade de Homs, ele tem a pele queimada pela exposição ao sol durante as muitas horas seguidas de combate. Ele me conta a história do seu envolvimento na revolução, até chegar à sua atual notoriedade.

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