Os estudantes da Universidade de Campinas (Unicamp) não
querem a Polícia Militar dentro do campus da instituição por considerar
que o próprio trabalho da PM é violento. Esse é o consenso dos alunos
que participaram de assembleia na tarde desta segunda-feira, após votar
pela continuidade da ocupação da reitoria, iniciada na última
quinta-feira.
"A Policia Militar matou mais que a Guerra do Iraque",
afirmou a estudante de letras e diretora do Diretório Central dos
Estudantes (DCE) Mariana Toledo. Depois de terminada a reunião em uma
praça ao lado reitoria, ela falou com jornalistas e disse que os alunos
da universidade não consideram viável a entrada de uma polícia
responsáveis por mais mortes do que em guerrar.
De acordo com Mariana, o batalhão militar é truculento e
irá acirrar ainda mais a violência. A diretora do DCE argumentou que o
ideal seria a implementação de uma guarda preventiva dentro da
universidade, com seguranças concursados e um serviço, por exemplo, de
escolta noturna.
"Não somos contra a polícia, e sim do sistema da Polícia
Militar, veja os fatos contra os professores, nas favelas contra pobres
e negros, contra manifestações de direito nas ruas", falou. "Esses dias
vimos aqui na universidade carros com policiais levando cães ferozes e
arma pesada como fuzil", emendou.
A estudante falou também que a ocupação da reitoria é
legítima e veio reforçar a ideia de que a universidade pertence a todos.
Quanto à decisão judicial de reintegração de posse, ela acredita que é
histórico o fato de as instituições lançarem mão "desta alternativa
sumariamente violenta a ser cumprida pela Polícia Militar".

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