Realizada na sede da Federação Paulista
no início da noite de segunda-feira, a reunião para tentar colocar fim
ao boicote contra o São Paulo nas categorias de base teve alguns
momentos quentes. Acompanhado do diretor Marcos Tadeu, José Geraldo de
Oliveira, gerente da base são-paulina, partiu para o ataque. Conhecido
pelo seu perfil extremamente fiel a Juvenal Juvêncio e verdadeiro pivô
da polêmica, Geraldo havia separado um dossiê sobre supostos outros
casos de aliciamento.
Do outro lado da mesa, estavam Marco
Polo Del Nero, presidente da FPF, e dirigentes do Corinthians, da Ponte
Preta, do Vitória e do Atlético-MG. Geraldo tentou atingir os
ponte-pretanos – do qual saíram quatro jogadores para a base do São
Paulo – com a informação de que o Mogi Mirim reclama a baixa de alguns
jovens. Ouviu, do presidente da Ponte Preta, Márcio Della Volpe, que os
negócios foram feitos em parceria. Também tentou, sem grande sucesso,
atingir Vitória e Corinthians.
“A verdade é que o São Paulo foi com uma
metralhadora para rebater. Como justificando: fazemos e vocês fazem
também”, disse Domingos Neto, dirigente da base do Corinthians. “Eles
citaram o Léo Jabá (98), que hoje é destaque no nosso Sub-15. Esse
jogador foi dispensado pelo São Paulo. Eu tenho o documento assinado, o
atestado liberatório. E eles tentaram contratá-lo novamente esse ano.
Citaram até o Lucas Evangelista (95), que foi perdido para o Desportivo
Brasil há vários anos”, acrescentou.
A Ponte Preta, protagonista na discussão
e cujo presidente é aliado de Marco Polo Del Nero, ameaçou roer a
corda. Pediu que o imbróglio por Lucão (97), goleiro transferido de
maneira unilateral para o São Paulo, fosse retirado da discussão. O
acordo foi feito antes da reunião entre Del Nero e o próprio Della
Volpe, mas não esfriou o boicote que não para de crescer. Santos,
Corinthians e Portuguesa definitivamente acenaram no sentido de que vão
se juntar ao grupo se necessário. A Ponte, nos bastidores, ameaça até ir
ao interior paulista coletar mais equipes dissidentes à Copinha. E não é
só…
Uma das possibilidades ventiladas na
segunda-feira é de ampliar o boicote além da próxima Copa São Paulo e
incluir ainda a Copa do Brasil Sub-17 e a Copa do Brasil Sub-20 nas
discussões. Tudo com um objetivo muito claro: fazer o São Paulo se
juntar ao grupo de 39 clubes que se compromete a não realizar
transferências unilaterais. “Ou o São Paulo recua ou continua tudo como
está. Todos os presidentes assinaram e nós queremos a assinatura do
Juvenal Juvêncio”, disse um dos líderes do movimento.
Curiosamente, no último dia 3, o São
Paulo emitiu nota oficial com insinuações contra os membros do boicote.
“Alguns dos seus representantes (estão) no bojo de eventuais ligações
promíscuas com empresários de futebol, que visam não necessariamente o
benefício de sua instituição, mas a auferição de lucros indevidos”. A nota completa está aqui.

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