O Tribunal Superior do Trabalho (TST)
determinou nesta terça-feira o fim da greve dos Correios e o retorno ao
trabalho na próxima quinta-feira. Apesar de ter decidido que a greve não
foi abusiva, a Corte estabeleceu que os empregados devem compensar os
dias parados em regime de duas horas diárias em até seis meses.
A greve dos Correios se arrasta desde o
dia 17 de setembro. Os trabalhadores exigiam aumento real de 15% sobre
os salários, reposição da inflação de 7,13%, aumento linear de R$ 200,
reposição de 20% de perdas salariais e jornada de seis horas diárias
para os atendentes. Contudo, a proposta dos Correios era de reajuste de
8%, reposição salarial de 6,27%, ganho real de 1,7%, vale-extra de R$
650,65 e vale-cultura, no valor de R$ 50.
A Seção Especializada em Dissídios
Coletivos do TST entendeu que a proposta da empresa atendia em parte as
reivindicações e acolheu o argumento de que o reajuste pedido pela
categoria teria um impacto de R$ 31,4 bilhões por ano. O TST
também decidiu pela manutenção do plano de saúde dos trabalhadores tal
como está. Os empregados alegavam que os Correios estariam tentando
repassar a administração da carteira para uma empresa privada. De acordo
com a decisão, qualquer alteração só poderá ser feita com aprovação de
uma comissão de trabalhadores e dos Correios.
O diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em
Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), James Magalhães,
considerou que o resultado do julgamento foi positivo para os
empregados. "Nos outros anos, o TST mandava voltar ao trabalho no dia
seguinte, não dando tempo de discussão em assembleia e nem de quem é de
outros Estados voltarem", comentou.
Segundo o diretor, os trabalhadores
esperavam que o TST concedesse um abono pelos dias parados, mas a
decisão de compensar o tempo paralisado em duas horas por dia não foi
considerada uma perda. "Não vai haver pressão de trabalhar sábado, fim
de semana. No geral foi positivo, a questão da manutenção do plano de
saúde. A luta da categoria é importante. Nada se consegue de graça, só
na luta", acrescentou o dirigente trabalhista.

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