terça-feira, 10 de setembro de 2013

Apenas 2% das brasileiras nunca sofreram assédio: estudo gera polêmica

Uma pesquisa feita pelo site Olga, parte da campanha Chega de Fiu Fiu, deu luz a um tema polêmico, que logo ganhou as redes sociais: o assédio sexual enfrentado pelas mulheres dia após dia nas ruas. Foram entrevistadas 7.762 mulheres, a maioria (40%) com idades entre 20 e 24 anos, e 98% do total responderam que “sim” à pergunta de se já haviam sido assediadas nas ruas. O que mais choca, porém, são os depoimentos em que as entrevistadas relataram histórias vividas, na maior parte das vezes com idades entre 11 e 16 anos, sobre homens que fizeram convites sexuais na rua, passaram as mãos no bumbum e seios delas, as agarraram à força e se masturbaram olhando para elas. 


Juliana de Faria, responsável pelo site, contou em entrevista ao Terra que já esperava a repercussão por conta da presença do tema na vida de quase todas as mulheres. Ela mesma se recorda até hoje de um assédio sofrido aos 11 anos. “Estava voltando da padaria, um carro passou perto de mim e o motorista gritou palavras de tão baixo calão que não ouso repetir. Na hora comecei a chorar, constrangida. Agressões verbais também traumatizam”, relatou. Mesmo assim, algo surpreendeu a jornalista: a culpa que as mulheres têm por serem assediadas. Segundo ela, as vítimas que tentam contar sobre o assédio a alguém são criticadas por exagerarem ou vistas como culpadas pelo ocorrido. 


O cara veio para o meu lado no ponto de ônibus, com o pênis para fora, se masturbando para mim e me chamando de gostosa

Uma das participantes do estudo, não identificada, contou uma experiência que ilustra exatamente a constatação de Juliana. “Ouvi um cara começar a me chamar de gostosa na rua e ignorei. De repente, o cara veio para o meu lado no ponto de ônibus, com o pênis para fora, se masturbando para mim e me chamando de gostosa. Entrei no primeiro ônibus que encostou, nem vi para onde ia, só pra fugir do safado. Quando cheguei em casa chorando, minha mãe perguntou o que tinha acontecido. Depois que contei, ela perguntou: 'e o que você fez para provocar o homem? Ele não colocou o pau pra fora à toa'”.

Homem faz isso porque acha que pode. E para colocar as mulheres no lugar delas por meio da agressão

A atitude da mãe da participante e de outras mulheres que deram depoimento sobre serem culpadas pelo assédio também impressionaram a internauta identificada como Paula P. “Se uma garota está de vestido justo e foi abusada, a roupa não é o motivo”, comentou sobre a pesquisa. Deixar claro que o “assédio não é culpa delas” e evidenciar para os “homens que elogios ou contatos feitos por estranhos provavelmente serão percebidos como violência” estão entre os objetivos da iniciativa, segundo Juliana. O estudo encorajou não só as mulheres a desabafarem sobre as violências sofridas nas ruas, como também homens que tiveram mães, filhas, irmãs e namoradas na situação, o que gerou dezenas de comentários na página da pesquisa.

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