terça-feira, 10 de setembro de 2013

De Ceni a Luís Fabiano: veja 7 erros cruciais de Autuori no São Paulo

O contrato era de quase dois anos, mas a passagem foi de quase dois meses. Paulo Autuori retornou ao São Paulo para atingir seu quarto trabalho ruim consecutivo por clubes brasileiros: Cruzeiro (2007), Grêmio (2009) e mais recentemente o Vasco. No Morumbi, foram 13 jogos oficiais (11 pelo Brasileiro, um pela Recopa Sul-Americana e outro pela Copa Suruga) e duas vitórias. O aproveitamento de 23% dos pontos disputados selou a demissão na segunda-feira.

Autuori recebeu um elenco com carências, um time com a confiança abalada e jogadores importantes em má fase. Também encontrou um São Paulo com a política em momento quente, viu a direção de futebol ser reformulada e foi prejudicado pelo calendário. Sua queda se concretiza depois de quatro jogos em oito dias.

Por mais que fatos alheios a ele empurrassem o time para baixo, o fato é que Paulo Autuori não justificou o status de treinador campeão de Mundial de Clubes, duas Copas Libertadores e um Campeonato Brasileiro. Uma missão que agora recai sobre os ombros de Muricy Ramalho. Abaixo, o Terra aponta sete erros de Autuori em seu retorno ao Morumbi:

Indefinição sobre a equipe titular

Em quase dois meses no São Paulo, Paulo Autuori não conseguiu repetir o mesmo time por dois jogos consecutivos. É verdade que foi prejudicado pelo calendário apertado e por problemas físicos no grupo, mas ainda assim fez muitas mudanças, principalmente no setor de armação. Sem um jeito definido de jogar, o ataque também sofreu para balançar as redes.

Discurso ineficaz

Em parte pelas mudanças na formação titular, mas o fato é que Autuori não conseguiu mexer com os jogadores são-paulinos e seu discurso de vestiário não foi suficiente para reverter a crise. Em momentos-chave como a partida contra o Criciúma, faltou força mental ao São Paulo para se superar nas adversidades. Curioso, já que o mesmo grupo de atletas havia se destacado por esse espírito durante o Brasileiro 2012 e a Copa Sul-Americana.

Falta de padrão de jogo

Jadson, destaque com Ney Franco, entrou em queda livre com o último treinador Foto: Ricardo Matsukawa / Terra 

Autuori adotou uma estrutura tática ultrapassada como base inicial para sua equipe, com dois volantes, dois meias e dois atacantes. O modelo, comum no futebol brasileiro na década retrasada, entrou em desuso. Na sequência, o treinador jogou na retranca em partidas contra Corinthians e Bayern de Munique. Mais recentemente, se voltou ao 4-2-3-1, e até testou PH Ganso no ataque. Nunca, porém, o São Paulo foi um time organizado, compacto e incisivo à frente.

Sem poder de fogo

Dados Footstats apontam para o São Paulo como o time que mais troca passes no Campeonato Brasileiro. A posse de bola, porém, não significa poder de fogo, já que a equipe são-paulina está entre as que menos (10ª) e pior finalizam (14ª). Daí a má fase dos atacantes, exceção feita a Aloísio. Osvaldo, por exemplo, começou o ano como jogador de Seleção Brasileira, mas não faz um gol desde fevereiro.

Cobradores de pênalti

Rogério Ceni perdeu três pênaltis nos últimos dois meses Foto: Ricardo Matsukawa / Terra 

O São Paulo teve quatro pênaltis a seu favor sob o comando de Paulo Autuori, sendo um deles em partida amistosa contra o Bayern de Munique. Se Rogério Ceni e Jadson tivessem convertido contra Portuguesa, Criciúma e Flamengo, os quatro pontos a mais somados representariam hoje estar fora da zona de rebaixamento. Os erros foram cometidos pelos jogadores, mas a indefinição sobre um cobrador oficial confiável e bem treinado é falha do treinador. 

Improvisação na lateral

A utilização de Paulo Miranda na lateral era motivo de críticas internas a Ney Franco, mas também se repetiu com Autuori. Na impossibilidade de contar com Douglas, o treinador abdicou dos jovens Lucas Farias e Caramelo nas últimas partidas e não teve resultados. Zagueiro de origem, Paulo falhou bastante pelo lado do campo contra Criciúma e Coritiba. Do outro lado, um dos acertos do treinador: ele apostou em Reinaldo, deu estabilidade e solucionou o problema pela esquerda.

Não recuperou os principais jogadores

Luís Fabiano marcou apenas um gol durante passagem de Autuori Foto: Marcello Zambrana/Inovafoto / Gazeta Press 

Um dos pontos principais para a fase ruim do São Paulo é o desempenho abaixo da média dos jogadores mais importantes. Rogério Ceni, por exemplo, falhou embaixo dos paus e também em cobranças de pênalti. Responsáveis pela criação do time, PH Ganso e principalmente Jadson fizeram partidas apagadas com Paulo Autuori. Luís Fabiano marcou um gol nos últimos dois meses. Toloi, tido como melhor zagueiro do grupo, entrou em queda livre.

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